Em busca do tempo perdido

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Esse texto de um poema de Cassimiro de Abreu me fazia refletir a vida em plena adolescência. Agora reflita sua vida… Em tudo que já fez, existem coisas que gostaria de não ter feito? Ou quem sabe, fazê-las melhor? E uma nova chance de viver e procurar corrigir tudo aquilo que aconteceu. Viver em busca de algo que se perdeu causa certo incômodo, até que, ao achar nos sentimos melhor. E buscar algo impossível de encontrar? Viver em busca do tempo perdido é impossível. Nossa vida passada é cheia de boas e más lembranças e algumas dessas más lembranças foram consequências de escolhas que fizemos e mesmo escolhendo errado ainda hoje podemos consertar e modificar o rumo da historia de nossas vidas. Você crê nisso? Vejamos as sábias palavras do sábio pregador Salomão em Eclesiastes 11. 8 – 10; 12. 1 – 7:

“Porém, se o homem viver muitos anos, e em todos eles se alegrar, também se deve lembrar dos dias das trevas, porque hão de ser muitos. Tudo quanto sucede é vaidade. Alegra-te, jovem, na tua mocidade, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas estas coisas te trará Deus a juízo. Afasta, pois, a ira do teu coração, e remove da tua carne o mal, porque a adolescência e a juventude são vaidade. LEMBRA-TE também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento; Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva; No dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas; E as portas da rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura, e se levantar à voz das aves, e todas as filhas da música se abaterem. Como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e perecer o apetite; porque o homem se vai à sua casa eterna, e os pranteadores andarão rodeando pela praça; Antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço, E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.”

Este texto de Eclesiastes nos transmite a ideia que o sábio pregador aconselha aos jovens que têm aptidão para servir a Deus! No mundo corporativo, fala-se de otimização de tempo ou tempo de qualidade. É uma referência ao melhor uso do pouco tempo que dispomos. Neste sentido as palavras de Salomão, carregadas de poesia, podem ser compreendidas da seguinte forma:

I. Daremos conta a Deus pelo tempo

O autor do texto fala da importância de lembrar dos nossos dias e ironiza aconselhando o jovem a caminhar segundo o seu coração (carpe diem) e alerta que daremos conta a Deus por nossos dias. […] por todas estas coisas te trará Deus a juízo (cf. 11.9).

II. Aproveite bem os seu tempo que é passageiro

Em seguida Salomão dá as dicas de como permanecer no alvo durante esse tempo. Afasta, pois, a ira do teu coração, e remove da tua carne o mal […] (cf. 11.10). Assim como a infância, a adolescência e a juventude passam, é vaidade! […] Porque a adolescência e a juventude são vaidade. (cf. 11.10).

III. O tempo perdido não volta mais

Com toda uma narrativa poética, o sábio descreve o resultado do tempo sobre nossas vidas. Toda a trajetória do envelhecimento à morte. A velhice é comparada a uma tempestade, uma casa antiga, as dificuldades físicas como: braços e mãos (guardas das casas), as pernas (encurvarem os homens fortes), os dentes (os moedores), a visão (os que olham pelas janelas), os ouvidos (portas da rua), insônia (levantar à voz das aves), capacidade de apreciar a música (filhas da música se abaterem), Dificuldade de subir em lugares altos (temerem o que é alto), medo de cair (espantos no caminho), cabelos brancos (florescer a amendoeira), perda de mobilidade (o gafanhoto for um peso), vontade de comer (perecer o apetite). Por fim ele descreve o destino final: E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu. (cf. 12.7).

É impossível encontrar o tempo perdido ou refazer o passado. Possível é aproveitar ao máximo o presente que é um presente de Deus, e ao chegar o futuro estar satisfeito e tranquilo pelo bom tempo e pelas boas lembranças.

I Coríntios 3. 21 – 26

“Portanto, ninguém se glorie nos homens; porque tudo é vosso; Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso, E vós de Cristo, e Cristo de Deus.”

Soli Deo Gloria

2 comentários sobre “Em busca do tempo perdido

  1. Alex Turner disse:

    Belo texto, nos faz pensar bastante, e relembrar certos momentos.Mas acho que a maturidade que nos é dada a cada dia, acaba por alterar o conceito do que foi ruim, e do que foi bom.O que seria saber viver?Hoje em dia, já não olho para trás, e aponto um tempo que porventura, teria perdido.Antes me queixava, e muito até, mas como falei, a gente vai crescendo, e vendo que aquele “erro” vivido, não foi tempo perdido, pelo contrário, foi vida mais que vivida.Usufrui da minha essência, vivi o que me foi dado, não existe o “SE”, hoje em dia vejo tudo de uma forma alinear, que vai acontecendo.Por mais que possa ser ruim, não poderia ter sido de outra maneira, afinal a dualidade que reina o acontecer, que dita a vida.Foi ruim?Foi tempo perdido?Foi…mas ainda sim foi vida.E tudo que acontece, seja lado A, ou lado B, é minha vida.Depois que passei a vê-la assim, já não existe mais mágoas,ou culpas no meu coração, há tempos…Então o chamado ” o tempo perdido”, está na cabeça de quem crer que o perdeu,o erro está na nossa essência, e por mais grandioso que possa ser, não terá o direito de ao escrever minha vida, colocar uma coluna com coisas que foram de tempos perdidos.E não estamos livres de errar o mesmo mais de uma vez, afinal somos humanos.Então é isso o que me importa é o que me faz abrir os olhos de manhã.Abraços, seu blog é muito bom, sei que não tenho uma opinião voltada pra sua, mas qualquer forma de reflexão é grandiosa, por isso respeito todas.Desculpa qualquer coisa, e tenha uma ótima semana!

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