Ortodoxia

Em uma livre busca por significados, temos:

Ortodoxo é aquele que segue fielmente um princípio, uma norma ou uma doutrina. Do grego “orthos” que significa “reto” e “doxa” que significa “fé”. É o que está em conforme com a doutrina religiosa tida como verdadeira.

Ortodoxo é uma expressão usada para fazer referência a algo rígido, tradicional, que não evolui, que é conservador, que não se adapta nem admite novos princípios ou novas ideias. É aquele que está em conformidade com os princípios tradicionais de qualquer doutrina.

Munidos destas considerações, quero refletir sobre verdade, se realmente conhecemos a verdade e se, consequentemente, representamos a verdade. Está escrito: (João 8:31-32) “Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” Interessante que há uma igreja que carrega este versículo 32 em seu slogan e vive acumulando mentiras em sua doutrina colcha de retalhos!

Veja o que diz a Palavra de Deus em 2 Pedro 1:16-21:

Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade, pois ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. Ora, esta voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo. Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração, sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens [santos] falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.

A Segunda Epístola de Pedro foi escrita a todos os cristãos do seu tempo. Ela trata de falsas doutrinas que estavam sendo espalhadas entre eles. Os falsos mestres não somente ensinavam coisas erradas como também se entregavam a todo tipo de imoralidades e vícios e procuravam arrastar os outros consigo. O apóstolo avisa os leitores do perigo que eles corriam e os anima a ficarem firmes na fé e na vida de pureza e dedicação a Deus. Esses falsos mestres também zombavam da esperança que os cristãos tinham de que Cristo iria voltar; por isso, o apóstolo afirma que, de fato, o Senhor voltará.

Considero esta carta como um sintético guia para práticas do dia-a-dia da igreja. Veja o que está escrito um pouco antes em 2 Pedro 1:5-8: “5 por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; 6 com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; 7 com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor. 8 Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.”

Voltando ao texto base desta nossa reflexão, vejo que…

Pedro afirma a autoridade de sua proclamação, sua importância e a fonte de seu conhecimento

Autoridade das Escrituras (vs. 16-18)

A base do discurso de Pedro é estabelecida na experiência vivida ao lado de Jesus. Assim, no verso 16 deixa bem claro que não se trata de palavras inventadas, nem tampouco fabulas criadas para impressionar. Logo em seguida apresenta o relato da narrativa que conhecemos como monte da transfiguração, conforme Marcos 9:5-7: Então, Pedro, tomando a palavra, disse: Mestre, bom é estarmos aqui e que façamos três tendas: uma será tua, outra, para Moisés, e outra, para Elias. Pois não sabia o que dizer, por estarem eles aterrados. A seguir, veio uma nuvem que os envolveu; e dela uma voz dizia: Este é o meu Filho amado; a ele ouvi. Então ele atesta a legitimidade de ter convivido com Jesus.

Ação das Escrituras em nós (vs. 19)

Em uma palavra num formato poético, Pedro aponta a ação da Palavra naqueles que buscam ele diz: …fazei bem em atendê-la. É neste clima de ouvir a Mensagem nela contida que traz luz a corações mergulhados em trevas e consequentemente atesta para a luz maior, o sol simbolizado como a estrela da manhã conforme disse Jesus a João em Apocalipse 22:16: Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas às igrejas. Eu sou a Raiz e a Geração de Davi, a brilhante Estrela da manhã.

A fonte do saber das Escrituras (vs. 20-21)

Mais uma vez ele atesta a legitimidade da Escritura, desta vez dizendo que o que está escrito não é coisa da cabeça deles como que de inspiração humana. E mesmo escrito por homens aquilo que eles relataram vem de Deus e dirigidos pelo Espírito Santo.

Não me resta duvidas quanto à autoridade das Escrituras. É pela fé que creio assim na certeza que a revelação foi nos entregue através dessas vidas usadas por Deus para transmitir sua vontade. Foi pela fé e obediência que esses homens escreveram o que hoje temos como livro Sagrado e somente pela fé e obediência que a Palavra prevalece em nós. Será que hoje somos capazes de defender com toda veemência as Sagradas Escrituras? E será que conhecemos o suficiente para tal?

{Biblifique-se}

Soli Deo Gloria

É preciso amar as pessoas

“É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã…”

Este é o trecho de uma música de um poeta secular que parecia cantar tentando encontrar o amor, mas este amor, que é um amor dedicado só está completo em Deus. Em I Coríntios 13.4-7 está escrito:
“O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”
Neste belíssimo texto de Paulo, encontramos uma bela poesia dedicada ao amor. Interessante é alguém escrever tão bem sobre um sentimento tão puro e perfeito, ainda que, em seu passado, tenha vivido o inverso deste amor, pois Paulo carregava ódio dos cristãos. Então percebemos tamanha transformação que o amor é capaz de realizar.
No Novo Testamento existem algumas nomes gregos que foram traduzidos por amor. Vou dar alguns exemplos: Eros – é o amor romântico e não tem que ser apenas de natureza sexual; Philos – significa uma lealdade, algo que envolve uma boa amizade e uma vida saudável em família, igreja; Ágape – Muito usado por Jesus, é o amor gratuito, sem interesse, o amor que devemos ter ao nosso Deus.
“E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave.” (Efésios 5.2)
Mais uma vez o apóstolo do gentios falando de amor. Paulo orienta que o nosso amor deve ser como o amor de Cristo dizendo o que Jesus, o nosso Senhor, fez por tal amor! Em Gálatas 5.13, orienta a sermos servos uns dos outros em amor. Alguém já imaginou como seria prazeroso se na igreja todos servissem uns aos outros em amor? O livro O Monge e O Executivo ensina que para ser um líder bem sucedido é preciso ser servo. Agora, servir em AMOR independente do outro é um desafio ainda maior. Em II Tessalonicenses 1.3,4 está escrito:
“Sempre devemos, irmãos, dar graças a Deus por vós, como é justo, porque a vossa fé cresce muitíssimo e o amor de cada um de vós aumenta de uns para com os outros, De maneira que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus por causa da vossa paciência e fé, e em todas as vossas perseguições e aflições que suportais;”
O apóstolo está feliz em saber que aquele povo têm desenvolvido a fé e o amor que cresce de forma mútua. Eis a importância de viver as bençãos de Deus de forma recíproca na igreja. Resultante disto, este povo se torna um exemplo em sua fé e paciência, mesmo em perseguições e aflições.
Um pastor amigo conta em um desabafo que entendeu ainda melhor a lição de Jesus descrita em Mateus 21 : 19: “E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela, e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente.” Disse o pastor que morou em uma cidade que tinha uma grande e graciosa figueira e que esta árvore, mesmo sem frutos,produz um cheiro agradável, de forma que se dá a impressão que está carregada de frutos e ao se aproximar é que se percebe que não há nada. A lição para nós está em que muitas vezes falamos do amor, cantamos o amor, recitamos o amor (cheira bem). Mas se não vivemos o amor estamos destinados a secar.
Soli Deo Gloria