Perder para ganhar

A carta de Paulo aos filipenses “fala muito em poucas palavras”. O autor conseguiu agradecer uma oferta da igreja, recomendar líderes para a direção da igreja, alertar e até exortar a igreja em apenas 4 curtos capítulos. Vejamos o que fora tratado no capítulo 3, e se essas considerações aplicam-se a nós hoje…

Filipenses 3:2-11

2 Acautelai-vos dos cães! Acautelai-vos dos maus obreiros! Acautelai-vos da falsa circuncisão! 3 Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne. 4 Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: 5 circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, 6 quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. 7 Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. 8 Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo 9 e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; 10 para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; 11 para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos.

  1. Padrão de Cristo de qualidade

O versículo 2 chama à igreja a uma vida cautelar longe da falsidade. Consequentemente o versículo 3 reforça a ideia de que a fé verdadeira já era vivida por eles, pois era uma fé que busca Deus em Espírito, não “na carne”.

O versículos 4 a 6, Paulo fala de si, quando ele seria aprovado segundo “a carne”. Assim como o próprio disse em Atos 26.5: pois, na verdade, eu era conhecido deles desde o princípio, se assim o quiserem testemunhar, porque vivi fariseu conforme a seita mais severa da nossa religião.

Aqui Paulo deixa uma das marcas do padrão Cristo de qualidade – Perder para ganhar – dessa forma é que ele descreve sua vida e logo nos versículos que seguem (vs. 7 e 8). No verso 9 Paulo fala da justificação pela fé em Cristo e que ao tomarmos com Ele a Sua morte (vs.10), somos também com Ele ressurretos (vs.11)!

Filipenses 3:12-16

12 Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. 13 Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, 14 prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. 15 Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. 16 Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos.

  1. Buscando esse padrão

Agora Paulo vai mostrar as referências para esse padrão Cristo de qualidade, não considerando-se perfeito (como dominador de tal assunto), mas seguindo os passos de Jesus. Os versículos 13 e 14 são uma síntese do ministério de Paulo, suas palavras aqui são de extrema importância para compreendermos toda essa carta. No 13 ele deixa claro que, apesar de ter uma historia de religioso irrepreensível e depois de missionário plantador, pouco importa quando seu foco é o que está adiante! E o que está adiante? Esse é o padrão Cristo de qualidade: “o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. Que é nada mais nada menos, entregar a própria vida em favor do outro – maior prova de altruísmo que alguém pode fazer, esse é o prêmio, esse é o padrão!

Os versículos 15 e logo o 16 completam-se em tom de ironia. Aquele “que se consideram perfeitos”, Deus vai trazer luz ao entendimento, se ainda assim alguém considera-se perfeito então ande de acordo com essa perfeição.

Filipenses 3:17-21

17 Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós. 18 Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. 19 O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas. 20 Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, 21 o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas.

  1. Vivendo esse padrão

O grande e difícil lance é viver esse padrão! Para isso é que Paulo pede que sigam seus passos, mostrando que é possível e no versículo 18 fala chorando que dentro da igreja há inimigos da cruz… será que existem mesmo pessoas assim? O versículo 19 aponta o perfil dessas pessoas.

Os dois versos finais deste capítulo trazem o valor que temos em buscar o padrão Cristo de qualidade, que é garantir nosso destino numa pátria celestial ao lado do nosso Senhor a qual nos liberará deste corpo pecaminoso para viver debaixo da glória dEle.

Viver esse padrão é difícil, porém não impossível! É viver longe de toda falsidade, buscando o modelo de Cristo em nossas vidas e viver assim até que Ele venha e nos leve para toda a eternidade!

Soli Amori Christi

Salmos de alegria {parte 1}

Salmo 4:1-8

1 Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça; na angústia, me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração. 2 Ó homens, até quando tornareis a minha glória em vexame, e amareis a vaidade, e buscareis a mentira? 3 Sabei, porém, que o SENHOR distingue para si o piedoso; o SENHOR me ouve quando eu clamo por ele. 4 Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai. 5 Oferecei sacrifícios de justiça e confiai no SENHOR. 6 Há muitos que dizem: Quem nos dará a conhecer o bem? SENHOR, levanta sobre nós a luz do teu rosto. 7 Mais alegria me puseste no coração do que a alegria deles, quando lhes há fartura de cereal e de vinho. 8 Em paz me deito e logo pego no sono, porque, SENHOR, só tu me fazes repousar seguro.

Este Salmo faz parte do livro de número 1 na divisão dos Salmos em cinco partes. Cada uma dessas cinco partes têm uma temática distinta na seguinte forma: desgraça e fé (1-41); confusão e confissão (42-72); desespero pela desobediência (73-89); esperança com o passado (90-106); e finalmente “louvor” (107-150) que são Salmos carregados de esperança visto que o povo saíra do exílio.

  1. Deus conhece a intenção do coração

A certeza de que Deus “está atento” à oração do salmista (cf. vs. 1) está no conhecimento de que Deus é misericordioso. Deus ouve o clamor daqueles que o buscam “em espírito e em verdade”, por isso os versículos 2 e 3 são um alerta para aqueles que não buscam Deus com todo vigor, pois Ele sabe que clama de todo coração!

  1. É preciso buscar a justiça

“irai-vos e não pequeis”! O início do versículo 4 é um chamado à justiça de Deus. Tiago entendeu bem isso quando diz: “Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus.” (Cf. Tg. 1.20) Logo em seguida este mesmo versículo fala que devemos refletir nossos atos ao fim do dia: “Consultai no travesseiro o coração e sossegai”.

O versículo 6 traz uma poesia fantástica que devemos compreender bem. A “luz do rosto de Deus” é o entendimento de que Deus sonda e conhece todas as nossas intenções! Veja o que diz o Salmo 90.8: “Diante de ti puseste nossas iniquidades e, sob a luz do teu rosto, os nossos pecados ocultos”. O próprio Deus nos fará conhecer o bem…

  1. A verdadeira alegria vem de Deus

Os dois versículos finais é o claro e simples reconhecimento da fonte de alegria do salmista:

  1. A alegria não deve vir das coisas (vs. 7);
  2. A alegria traz paz (vs. 8a);
  3. É alegre aquele que descansa em Deus! (vs. 8b).

Assim, todo aquele que procura alegria, deve buscar em Deus, que conhece nossas intenções, sonda nosso coração e nos faz descansar na confiança de que Ele mesmo é a nossa segurança.

Soli Amori Christi

Luz e trevas

Considero de extrema importância, ao falar de luz, também alertar a respeito das trevas. O antagonismo de um assunto estudado é sempre de grande valia para o melhor entendimento. Assim como para compreender nossa saúde é preciso saber o que nos causa algum mal, ou quando se aprende o que é respeito e “automaticamente” sabe-se o que desrespeito. Na Bíblia há também comparações antagônicas como a historia de Jó que reconhece a soberania de Deus no muito e no pouco ou quando o próprio Jesus ensina a respeito de dinheiro diz: “Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito.” (Lucas 16.10)

Vamos ver o que Paulo escreveu  respeito de luz e trevas em 2 Coríntios 6.14-18:

14 Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos; pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? ou que comunhão tem a luz com as trevas?15 Que harmonia há entre Cristo e Belial? ou que parte tem o crente com o incrédulo?16 E que consenso tem o santuário de Deus com ídolos? Pois nós somos santuário de Deus vivo, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.17 Pelo que, saí vós do meio deles e separai-vos, diz o Senhor; e não toqueis coisa imunda, e eu vos receberei;18 e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso.

  1. Jugo desigual

2 Coríntios, que é uma carta doutrinária à igreja, ou seja, nela são aplicados princípios e valores para a vida de uma comunidade de fé de um povo que se diz cristão, assim cabe a nós. No versículo 14 somos colocados frente a duas interrogações comparativas: de um lado temos a justiça e luz; e do outro lado temos injustiça e trevas.

Aqui a proposta pedagógica de Paulo é muito simples e direta. Ninguém pode dizer que é luz e agir de maneira injusta, assim como ninguém pode se dizer justo e viver em comunhão com as trevas. Ambos estariam em contradição! Assim devemos ter muito cuidado em todos os nossos relacionamentos, pois em muitos casos somos coniventes com a injustiça a qual reina as trevas. Está escrito: “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisto está pecando.” (Tiago 4.17)

  1. Santuário de Deus

Nos próximos versículos as comparações continuam, dessa vez do “lado direito” temos: Cristo, crente e santuário de Deus; e do “lado esquerdo” temos: Belial, incrédulo e ídolos. Se realmente somos santuário de Deus, então não deve haver nenhuma possibilidade de harmonia entre esses dois lados. Veja que de um lado o ponto principal é Jesus e do outro Belial ou o Maligno (outras versões), assim não ha meio termo, ou é ou não é! É impossível servir a dois senhores (cf. Mateus 6.24).

Conforme a parte b do versículo 16, que diz: “Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo”. Temos uma enorme honra e ao mesmo tempo uma responsabilidade gigante que é ser povo de Deus e habitat dEle! Será que nossas atitudes revelam tamanha honra e responsabilidade em ser casa de Deus? Ao saber que Deus está entre nós, isso nos traz algum desconforto? Se sim… esta casa ainda precisa de reforma!

  1. A vontade de um Pai

O versículo 17 é um chamado à santidade. A separação aqui se completa no sentido do texto que vai desde não andar em jugo desigual; não amar o mundo; não ter comunhão com o pecado e nem com pecadores. Isto é ser santo ou separado. Para viver assim temos o maior exemplo que é Jesus. E para que não sirva como argumento de que é impossível ser santo ou proclamar o evangelho sem nos aproximar dos pecadores, Jesus Cristo viveu entre pecadores mas não viveu em pecado. A expressão “não toqueis” deste versículo deixa claro a possibilidade e facilidade que temos de nos contaminar ao pecado.

Por fim, o escritor Paulo apresenta esta vontade de Deus que é o reconhecimento de seus filhos em nós, como foi com o profeta Oséias no capítulo 1, versículo 10. A vontade de todo bom pai é que seu filho obedeça e ande nos caminhos que ele considera benéfico para a sua vida. Da mesma forma o nosso Deus que é bom, alias, Deus é boníssimo, quer o melhor para seus filhos. Assim está escrito: “Pois todos os que são guiados pelo Espirito de Deus são filhos de Deus” (Romanos 8.14).

Simples assim!

Soli Amori Christi

Fé dependente

O que seria uma fé dependente? É alguma crença a qual o indivíduo necessita de alguma prova para confiar. Mas se a Palavra diz que […] “a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos. ” (Hebreus 11:1). Como então alguém precisa depender de algum tipo de comprovação para crer em Deus?

Pois é, muitos, nos tempos de Jesus esperavam pelos sinais para atestar a veracidade de quem eles precisavam acreditar. Leva-se em consideração à distância em que se anunciava o messias – cerca de 400 anos – e também feiticeiros e charlatões que costumavam arrancar dinheiro das pessoas aproveitando-se da fé ingênua destes.

Assim vejo que os milagres de Jesus além de abençoar vidas, também são um poderoso processo pedagógico à fé das pessoas. O evangelista João é o único escritor de evangelho que deixa claro o alvo deste gênero literário bíblico. Está lá em João 20.30,31, que diz: Jesus realizou na presença dos seus discípulos muitos outros sinais miraculosos, que não estão registrados neste livro. Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome.

Agora vejamos este milagre narrado em João 4:46-53:

46 Mais uma vez, ele visitou Caná da Galiléia, onde tinha transformado água em vinho. E havia ali um oficial do rei, cujo filho estava doente em Cafarnaum. 47 Quando ele ouviu falar que Jesus tinha chegado à Galiléia, vindo da Judéia, procurou-o e suplicou-lhe que fosse curar seu filho, que estava à beira da morte. 48 Disse-lhe Jesus: “Se vocês não virem sinais e maravilhas, nunca crerão”. 49 O oficial do rei disse: “Senhor, vem, antes que o meu filho morra”. 50 Jesus respondeu: “Pode ir. O seu filho continuará vivo”. O homem confiou na palavra de Jesus e partiu. 51 Estando ele ainda a caminho, seus servos vieram ao seu encontro com notícias de que o menino estava vivo. 52 Quando perguntou a que horas o seu filho tinha melhorado, eles lhe disseram: “A febre o deixou ontem, à uma hora da tarde”. 53 Então o pai percebeu que aquela fora exatamente a hora em que Jesus lhe dissera: “O seu filho continuará vivo”. Assim, creram ele e todos os de sua casa.

A cura do filho do oficial demonstra o poder de Cristo e destaca que a fé dos galileus era dependente de milagres. (Carlos Osvaldo Pinto)

  1. Fé pela necessidade

Nos dois versículos (46 e 47) somos apresentados ao contexto de que Jesus retornara a Caná, onde já havia realizado milagre. Desta feita este oficial ouvindo falar desta nova visita de Jesus à sua cidade vai em busca de Jesus. Algumas considerações:

  • O oficial está em busca de Jesus, ou do milagre de Jesus?
  • A situação fez de um homem de status elevado (oficial do rei) passar a suplicar, pedindo um favor à Jesus.
  1. Fé pelos sinais

Agora no versículo 48, Jesus fala com uma certa dureza a afirmação de que este povo (inclusive o oficial) não tinha condições de crer sem ver os sinais. A fé deles era dependente de provas. Era preciso ver para crer! Porém, o oficial insistiu em seu objetivo, sua necessidade e Jesus, no versículo 50, o despede com uma palavra de cura: “Pode ir. O seu filho continuará vivo. ” O texto segue dizendo que o oficial saiu confiante na palavra de cura ministrada por Jesus.

  1. Fé no poder de Deus

A partir do versículo 51 o texto narra que o oficial retornando para sua casa, ainda no caminho é abordado por seus servos que trazem a notícia que ele tanto gostaria de ouvir: seu filho estava bem e perguntando qual horário isto ocorrera, percebeu que foi exatamente no momento em que Jesus lhe atendeu com palavras de cura.

Por fim, este milagre levou a todos de sua casa a crer no poder de Deus.

Que nossa fé seja independente de sinais e caso eles aconteçam é para que TODOS venham a crer.

Soli Amori Christi

Enquanto é tempo

Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.” (Salmo 90.12)

O que pensar do tempo?

O tempo é um vilão em muitas histórias. Mas o tempo também é um herói. Como vilão o tempo nos faz envelhecer, nos aproxima da morte, afasta pessoas… Como herói o tempo nos dá maturidade, aproxima os salvos da eternidade e estreita laços de amizade. O tempo, então é bom e ruim em nossa compreensão.

O lado “vilão” do tempo pode ser encontrado desde o início, veja o que está escrito em Gênesis 3.17: E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. O desgaste do tempo sobre nós é uma das consequências da desobediência a Deus.

Agora vejamos o que diz Pedro em 2 Pedro 3.1-9:

1 Amados, esta é, agora, a segunda epístola que vos escrevo; em ambas, procuro despertar com lembranças a vossa mente esclarecida, 2 para que vos recordeis das palavras que, anteriormente, foram ditas pelos santos profetas, bem como do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos vossos apóstolos, 3 tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões 4 e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação. 5 Porque, deliberadamente, esquecem que, de longo tempo, houve céus bem como terra, a qual surgiu da água e através da água pela palavra de Deus, 6 pela qual veio a perecer o mundo daquele tempo, afogado em água. 7 Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios. 8 Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia. 9 Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.

  • Devemos trazer à memória as promessas

Considero incrível a capacidade que o ser humano tem de tão facilmente lembrar fatos que marcaram negativamente sua vida, enquanto aos grandes e melhores momentos, em muitos casos ficam destinados às fotos arquivadas e vídeos perdidos. Na verdade, hoje em dia, perdemos tanto tempo registrando os melhores momentos que perdemos tempo para verdadeiramente viver esses momentos.

Usar a memória é inclusive um desafio para pessoas como eu, que têm uma enorme dificuldade de memorização. Mas a Palavra de Deus é recheada de pessoas que dependiam de sua memória para compartilhar os decretos de Deus. Tanto no Antigo, quanto no Novo Testamento era estritamente necessário o uso da memória para viver e pregar a Palavra, pois a escrita não era tão acessível a todos. No texto de nossa reflexão, Pedro afirma que muitos zombarão da fé cristã pelo fato de que não consideram aquilo que foi mencionado pelos nossos antepassados servos de Deus.

  • O Criador é também o Justo Juiz

Pedro alerta que esses zombadores não reconhecem Deus como o criador de todas as coisas e que também é justo. Através de sua justiça, considerou que o mundo precisava de um sacrifício, onde segue o dilúvio. Só que para a atualidade o mesmo texto diz “pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios”. Fogo, Juízo e destruição. Essas três palavras são muito fortes e de uma linguagem pesada, porém carregam em si toda um proposta de Deus para a humanidade. Se outrora o mundo passou pelo julgamento de Deus e o resultado foi água, dessa vez o fogo julgará. O fogo tem um amplo significado na Palavra, desde os sacrifícios na cultura do Antigo Testamento à manifestações da presença de Deus. Aqui eu recorro ao fogo que considera separação. O fogo é também usado para atestar a pureza do ouro, assim será no dia do juízo, onde Cristo julgará e separará àqueles que são o seu povo seguido da condenação dos ímpios

  • Deus aguarda nosso arrependimento

Os versículos seguintes tratam inicialmente a apresentação da perspectiva de Deus em relação ao tempo. Uma tentativa de explicar a atemporalidade do Criador. Se para nós o tempo é linear, para Deus o tempo cronos simplesmente não existe, ou seja, para Ele tudo é, foi e será ao mesmo tempo. Ainda assim, apesar de toda a dureza dos versículos anteriores que anunciam o julgamento final, somos apresentados à missericórdia e longaminidade de Deus. Que, para muitos a aparente demora para a volta de Jesus é tão só e simplesmente um ato de amor do nosso Deus, que aguarda não o arrependimento de todos. Conforme o texto, Pedro diz: “…senão que todos cheguem ao arrependimento”. Chegar ao arrependimento é o reconhecimento ou a oportunidade de salvação dada à humanidade.

Assim, o tempo que é tanto um vilão como um herói a qual aguardamos anciosamente o retorno do Rei deve ser compreendido por nós como a expressa manifestação do amor do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Soli Amori Christi

Venha teu reino

No texto conhecido como oração modelo contida em Mateus 6, temos a seguinte sequencia de palavras mencionadas por Jesus no versículo 10: “venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;” Aqui, o pedido para que o Reino de Deus venha está intrinsecamente ligado as palavras que seguem, declarando simplesmente que a vontade de Deus é soberana em nós!

Refletir acerca de soberania e senhorio é complicado, pois nós somos “treinados” para sermos os melhores em tudo e isso começa em casa com o famoso: Vamos ver quem termina primeiro? Daí para frente nossa vida torna-se uma competição – o melhor filho, o melhor aluno, o melhor músico, o melhor atleta, o melhor no vestibular, o melhor num concurso, o melhor na profissão, o melhor pai, o melhor avô e, até o defunto mais homenageado.

Queremos ser vitoriosos em tudo. O que acaba tornando-nos em primeiro lugar, péssimos perdedores e em segundo lugar, pessoas com dificuldade de posicionar-se abaixo de alguém, pois inconscientemente ou não queremos ser líderes de nós mesmos. O que dizer então de um Evangelho que ensina que para ser feliz é preciso perder?

Vejamos em Marcos 8.34 – 9.1

34 Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. 35 Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á. 36 Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? 37 Que daria um homem em troca de sua alma? 38 Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos ​1 Dizia-lhes ainda: Em verdade vos afirmo que, dos que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam ter chegado com poder o reino de Deus.

Jesus ensina a seguí-lo no caminho da cruz perdendo nesta vida para viver o Reino de Deus

  1. O Caminho da cruz (vs. 34,35)

Se observarmos bem, a maioria das igrejas católicas trazem afixadas nas paredes dos templos a chamada Via Crucis que retrata em 14 quadros imagens de tristeza e dor, o caminho de Jesus desde o Pretório de Pilatos, onde é declarado seu castigo, até o Calvário. Também conhecida como via dolorosa, o percurso da crucificação de Jesus é uma verdadeira cena de horror.

O que normalmente nunca pensamos é que seguir Jesus cabe a nós o caminho da cruz. Qual seria este caminho? Segundo o texto do versículo 35, o caminho da cruz é um caminho em que se perde a vida. Jesus entregou a vida por nós! A cruz que o inculpável Jesus carregou continha os nossos pecados e nós temos a pretensão de achar que nossas “cruzes” são os nossos problemas, nossas crises. Pobre visão a nossa, quando a verdadeira cruz de Jesus é a dor do outro, o pecado do outro, a vida do outro. Infelizmente nosso egoísmo não nos deixa enxergar desta maneira.

  1. Perder para viver (vs. 36-38)

Quanto custa uma alma? Ou qual seria o real valor dela? Em Fortaleza, estive no conhecido mercado central e fui em busca de uma mochila de couro. Ao ver uma mochila que gostei, parti em busca do melhor preço e no final, após muita pechincha, consegui um desconto de 60% do valor inicial do produto. Isto me fez pensar qual seria o real valor do que acabei de comprar.

Um seguro de vida pode até determinar o valor de nosso corpo mortal, mas será que alguém tem condições de determinar o valor da alma que é eterna? O valor declarado em números eu não sei dizer. Apenas sei que Deus se doou à humanidade como filho para pagar o real valor de nossa alma, assim só Deus sabe o preço.

Jesus Cristo entregou-se para que o preço do pecado estivesse pago, por isso o versículo 38 trata com dureza aqueles que negarem real valor da morte e ressurreição de Cristo em nós. Disse: “Porque qualquer um que se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o filho do homem se envergonhará dele.”

  1. O Reino de Deus (vs. 1)

Na terceira parte da franquia Senhor dos Anéis – o retorno do rei. Segue a trama em que Sauron planeja um grande ataque a capital de Gondor o que leva ao rei de Rohan reunir um exército contra as forças do mal. No filme somente o rei tinha a influencia para reunir tal exercito contra Sauron.

Nós temos um Rei, nós somos seu exército e somente reconhecendo seu senhorio sobre nós é que teremos condições de viver seu Reino. Sim, venha a nós o Teu Reino, Senhor somos teus servos que atentamente ouvimos tua voz e obedecemos como crianças atentas a voz de um pai protetor. Sejamos então ingênuos quanto toda oferta de pecado para viver o Reino, porque está escrito: “Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira alguma entrará nele.” (Lucas 18.17)

Então tome sua cruz, perca sua vida e viva o Reino de Deus!!!

Soli Deo Gloria

Charlie, Charlie e a propaganda irrefletida gratuita

Muito se tem falado dessa “brincadeira” de mal gosto do desafio Charlie, Charlie e as pessoas não pararam pra pensar no que realmente é verdade por trás disso tudo. Simplesmente saem falando do assunto, seja defendendo, ou seja atacando, eles estavam realmente preocupados com o que poderia causar.

Engraçado (ou não) é ver evangélicos tão empenhados defendendo a sua causa sem saber exatamente do que estava falando. Quando, na realidade trata-se apenas de um golpe de marketing em que o povão foi usado para promover um filme de terror numa propaganda irrefletida gratuita.

Aí muitos poderão dizer que aquilo realmente tem uma influência maligna. Se assim for, quando divulgamos demais, não estaríamos dando “ibope” pro diabo? Mas outros vão dizer não, aquilo é nada de influência espiritual, tratava-se apenas de um subconsciente induzido, loucura coletiva, hipnose… Sei que vão dizer muitas coisas, mas cá pra nós vamos ver o que a bíblia diz a respeito de assuntos como este.

Primeiro – Deus proíbe qualquer tipo de prática que traga alguma margem de espiritismo ou comunicação com os mortos. (Leia Deuteronômio 18. 10-14)

Segundo – quando realmente tem influência maligna Jesus é o maior exemplo pra nós, Ele mostra que a nossa resposta deve ser obedecer a Deus e à sua palavra vamos ver o texto a seguir:

Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo Diabo. Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome. O tentador aproximou-se dele e disse: “Se és o Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães”. Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’. ” Então o Diabo o levou à cidade santa, colocou-o na parte mais alta do templo e lhe disse: “Se és o Filho de Deus, joga-te daqui para baixo. Pois está escrito: “ ‘Ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, e com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra’. ” Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor, o seu Deus’. ” Depois, o Diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor. E disse-lhe: “Tudo isto te darei se te prostrares e me adorares”. Jesus lhe disse: “Retire-se, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu Deus, e só a ele preste culto’. ” Então o Diabo o deixou, e anjos vieram e o serviram. (Mateus 4.1-11)

Está muito claro que Jesus respondeu a astúcia de satanás com a Palavra de Deus. Então, ao invés de ficar atacando ou defendendo causas na internet que nem sei quais são. Devemos usar melhor o nosso tempo para Palavra de Deus. Somente a Palavra dá discernimento e somente Deus tem poder para nos livrar de qualquer mal.

Soli Deo Gloria