Santa Ceia ou Ceia dos santos?

Ser santo é simplesmente procurar viver como um cristão, ou seja, é ser Imitador de Cristo!

Disse Deus: Ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus. [Levítico 20.26]

Tudo bem que o nosso Deus é Santo. Agora, quando Deus nos orienta a ser santo como Ele é o negócio complica! Como eu, um mortal pecador posso ser santo como Deus? Seria uma ilustração ou metáfora?

A resposta encontra-se na Palavra de Deus: Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância; pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo. [1 Pedro 1.14-16] Pedro deixa claro que não se trata de uma simples ilustração ou metáfora é sim a maneira que TODO cristão deve viver!

Deste modo quando Paulo diz em 1 Coríntios 11.1 “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.” Não se trata de uma atitude arrogante ou uma “ostentação gospel”, mas sim a imagem que Paulo preocupava-se em refletir. Assim também nós devemos refletir santidade a começar nos enxergando santos.

Mesmo Paulo que se enxerga imitador de Cristo foi um terrível pecador… E depois ele tornou-se perfeito? Veja o que diz a seguinte narrativa…

Alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Voltemos, agora, para visitar os irmãos por todas as cidades nas quais anunciamos a palavra do Senhor, para ver como passam. E Barnabé queria levar também a João, chamado Marcos. Mas Paulo não achava justo levarem aquele que se afastara desde a Panfília, não os acompanhando no trabalho. Houve entre eles tal desavença, que vieram a separar- se. Então, Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre. Mas Paulo, tendo escolhido a Silas, partiu encomendado pelos irmãos à graça do Senhor. E passou pela Síria e Cilícia, confirmando as igrejas. [Atos 15.36-41]

Pois é, a discussão de Paulo com Barnabé leva-os a seguirem caminhos diferentes até segunda hora. Isto nos leva a entender que Paulo não tornou-se um extraterrestre ao dizer ser imitador de Cristo. Ele apenas entendeu a responsabilidade de carregar o nome de cristão.

Todos os dias somos “testados” para ver se realmente podemos carregar o nome de cristão! Apesar de nós, Cristo se entregou na cruz em nosso favor, então nossas atitudes devem refletir gratidão por Ele!

Vejamos o cenário original da ceia que Jesus realizou junto aos seus discípulos e extrair as devidas lições para nossas vidas…

Marcos 14:12-31

12 E, no primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, quando se fazia o sacrifício do cordeiro pascal, disseram-lhe seus discípulos: Onde queres que vamos fazer os preparativos para comeres a Páscoa? 13 Então, enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: Ide à cidade, e vos sairá ao encontro um homem trazendo um cântaro de água; 14 segui-o e dizei ao dono da casa onde ele entrar que o Mestre pergunta: Onde é o meu aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos? 15 E ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobilado e pronto; ali fazei os preparativos. 16 Saíram, pois, os discípulos, foram à cidade e, achando tudo como Jesus lhes tinha dito, prepararam a Páscoa.

17 Ao cair da tarde, foi com os doze. 18 Quando estavam à mesa e comiam, disse Jesus: Em verdade vos digo que um dentre vós, o que come comigo, me trairá. 19 E eles começaram a entristecer-se e a dizer-lhe, um após outro: Porventura, sou eu? 20 Respondeu-lhes: É um dos doze, o que mete comigo a mão no prato. 21 Pois o Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito; mas ai daquele por intermédio de quem o Filho do Homem está sendo traído! Melhor lhe fora não haver nascido!

22 E, enquanto comiam, tomou Jesus um pão e, abençoando-o, o partiu e lhes deu, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo. 23 A seguir, tomou Jesus um cálice e, tendo dado graças, o deu aos seus discípulos; e todos beberam dele. 24 Então, lhes disse: Isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos. 25 Em verdade vos digo que jamais beberei do fruto da videira, até àquele dia em que o hei de beber, novo, no reino de Deus.

26 Tendo cantado um hino, saíram para o monte das Oliveiras. 27 Então, lhes disse Jesus: Todos vós vos escandalizareis, porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas. 28 Mas, depois da minha ressurreição, irei adiante de vós para a Galiléia. 29 Disse-lhe Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais! 30 Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que duas vezes cante o galo, tu me negarás três vezes. 31 Mas ele insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei. Assim disseram todos.

A Ceia dos Santos é uma cerimônia de ações de graças realizada por homens pecadores, assim como os que estiveram com Jesus na ceia original.

  1. Cerimônia de gratidão pela “passagem”

Páscoa significa passagem e já era comemorada antes do surgimento do Cristianismo. Tratava-se da comemoração do povo judeu por terem sido libertados da escravidão no Egito. Segundo a Bíblia, supostamente Jesus teria participado de várias celebrações pascais. Quando tinha doze anos de idade foi levado pela primeira vez pelos seus pais, José e Maria, para comemorar a Páscoa, conforme Lucas 2.41: Ora, anualmente iam seus pais a Jerusalém, para a Festa da Páscoa.

Retornando ao nosso texto, temos em Marcos 14.12-16, a preocupação dos discípulos em preparar a festa de páscoa para Jesus e seu grupo. Ainda que seja uma festa judaica, Jesus está de acordo com sua realização e ainda envia seus discípulos a procurar o local, que conforme o Mestre diz já está pronto!

  1. Na festa é anunciada a traição

Já viu videos na internet de acidentes em festas? Pois é, tem situações que quebram todo o brilho de um evento. Aqui, nos versículos 17 a 21, naquela que seria a ultima ceia pascal de Jesus com seus discípulos, viu o Senhor ser um momento oportuno de revelar que seria traído.

Será que o Mestre “errou” ao escolher um momento festivo para tratar de um assunto tão incômodo? Veja que no versículo 19 o texto diz que foi gerado um ambiente de tristeza, porém se Jesus o fez, significa que era o momento mais que adequado.

  1. A Ceia dos Santos

Dos versículos 22 a 25 é a realização cerimonial que nós cristãos fazemos repetidas vezes neste memorial. Aqui fica claro que esta ceia é diferente da festa de páscoa judaica em que costuma-se sacrificar um cordeiro. Aqui Jesus é o Cordeiro de Deus, que antes de seu sacrifício, celebra um pacto com seus discípulos. A Ceia dos Santos, é, portanto um memorial do pacto feito Jesus em que somos juntos o corpo dEle, e pelo Seu sangue somos libertos da condenação do pecado, que é o inferno.

Participar da Ceia é simbolicamente renovar essa aliança ou simplesmente rememorar a razão pela qual nos consideramos cristãos!

  1. O desafio de ser cristão

Após a ceia, Jesus saiu com seus discípulos para o monte das oliveiras. É a partir do versículo 26 que o texto narra essa caminhada de Jesus em que Ele previne seus mais próximos seguidores de que não seria fácil manterem-se firmes na fé. Imagina o Messias dizendo em sua cara que você o abandonaria… Daí vem as célebres palavras de Pedro: Ainda que todos se escandalizem, eu, jamais!

Veja que Pedro pronuncia belas palavras e traz veemência em seu discurso, porém após a Ceia dos Santos, em que Jesus realiza um pacto de fé com Pedro e seus companheiros, que este homem ouve a revelação de nosso Senhor de que ele o trairia três vezes. Seriam essas as melhores palavras de incentivo? Em tempos que certas religiões pregam a confissão positiva, em que a palavra do homem tem poder! Eu vejo Jesus falando uma verdade de dói… Pedro descobrirá que não é esse super-crente que imaginara.

Assim é a ceia dos santos, um memorial que reúne o povo de Deus, cheios de defeitos e pecados, em busca de renovar seu pacto com Cristo. Uma celebração que inclui entre os convidados, TRAIDORES e que mesmo assim, assim como Pedro, podemos ser usados por Deus e para a glória de Deus!

Minha oração é que possamos nos enxergar como Deus nos vê.

Soli Deo Gloria

Comunhão organizada

Somos igreja ou fazemos parte de uma igreja?

Estamos vivendo um momento de confusão no meio evangélico brasileiro. Por um lado há uma igreja institucionalizada voltando aos costumes judaizantes e até ressuscitando o apostolado, por outro lado temos pessoas decepcionadas com instituições vivendo um tipo de igreja fora da igreja. Chamamos igrejas de templo e templos de igrejas.

Muito do discurso daqueles que são avessos à igreja institucional, mas ainda são de Jesus, é dizer que a igreja contemporânea não reproduz o que chamamos de igreja primitiva. Então vamos ao início com os verdadeiros apóstolos para identificar onde erramos.

Atos 2:40-47

40 Com muitas outras palavras deu testemunho e exortava-os, dizendo: Salvai-vos desta geração perversa. 41 Então, os que lhe aceitaram a palavra foram batizados, havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas. 42 E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. 43 Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. 44 Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. 45 Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade. 46 Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, 47 louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.

Pedro e os outros apóstolos obedientes a Deus começaram uma comunidade organizada de fiéis, e Deus os abençoava trazendo novos à salvação!

Este texto escrito por Lucas narra uma das primeiras organizações institucionais após a assenção de Jesus. Numa leitura rápida podemos perceber alguns elementos comuns àqueles dias:

  1. Batismo;
  2. Doutrina;
  3. Comunhão;
  4. Oração;
  5. Temor;
  6. Sinais;
  7. Templo;
  8. Casa;

Até aqui já temos assuntos suficientes para vários debates daquilo que somos e fazemos em nossas comunidades de fé chamadas igrejas. Mas por enquanto vamos focar no texto base.

  1. A pregação de Pedro e os sinais dos apóstolos (40-43)

O conteúdo da pregação de Pedro era simples e direta: Salvação e consciência do mundo que nos rodeia. Com um número expressivo de convertidos, naquele tempo já era necessário um modelo formal de igreja que, segundo o versículo 42 já tinham um modelo de funcionamento – doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Os apóstolos realizavam sinais e nem prodígios (!), o texto narra que esses sinais eram feitos POR INTERMÉDIO DELES! E que havia temor nas pessoas que alí se encontravam.

  1. A atitude comunitária dos crentes (44-45)

A proposta inicial de comunidade ganha adeptos entre os cristãos. Vida comunitária com divisão de bens não era uma novidade no oriente, muitos povos tribais a milênios atrás já optavam em viver assim. Acontece que um dos diferenciais dessa igreja chamada de primitiva era o desapego aos bens materiais. O interessante é que muitos críticos da igreja instituição dizem que preferem viver nos moldes da igreja primitiva, mas não querem viver esse desapego material…

  1. A igreja no templo e nas casas (46-47)

Outra crítica dos desigrejados e desinstitucionalizados é que a igreja primitiva não se reunia em templos. O versículo 46 diz que Diariamente perseveravam unânimes no templo. E logo diz que TAMBÉM estavam de casa em casa buscando uma vida simples.

No versículo 47 diz que eram pessoas que tinham uma prática de louvar a Deus e eram simpáticos às pessoas (!?).

Por fim, era Deus quem acrescentava as pessoas, ou seja, ISSO NÃO É TAREFA HUMANA! Então não devemos nos preocupar em criar novos modelos de atrações às pessoas. Devemos sim cumprir com nosso papel como igreja, acreditando nela e vivendo de forma que louvamos a Deus, assim as pessoas serão acrescentadas por Deus!

Não importa se você diz que é templo e vai à igreja ou se é igreja e vai ao templo… Importa ser cristão e cumprir com nosso papel comunitário de doutrina, oração, comunhão, repartir o pão e proclamar a salvação. Se Deus escolheu a igreja para que tudo isso fosse desenvolvido, porque muitos dizem que a igreja não é o melhor lugar? Estaria Deus errado?

Em Tiago 1.16-18, está escrito: Não vos enganeis, meus amados irmãos. Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança. Pois, segundo o seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias de suas criaturas.

Soli Amori Christi

Milagres do dia-a-dia

Quem já me ouviu orando algumas vezes, provavelmente foi testemunha das seguintes palavras: “Senhor, obrigado pelas coisas que tens feito em minha vida e eu nem sei”. Mas como assim? Será possível recebermos alguma benção de Deus ou mesmo um milagre e não ter conhecimento de tal? Sim em Êxodo 2.1-10, temos a conhecida história de um bebê recém-nascido que escapou da morte ao ser deixado numa cesta ao longo do rio, que fora encontrado recebendo todos os cuidados e ainda criado por sua mãe. Este bebê foi Moisés, que ainda no início da vida foi alvo de atos milagrosos de Deus sem ao menos saber o que passara.

É possível que muito do agir de Deus passe despercebido por nós, porém NADA se passa fora do conhecimento de nosso Senhor: Os olhos de Deus estão sobre os caminhos do homem e vêem todos os seus passos. (Jó 34:21)

Veja o texto a seguir, que narra um milagre espetacular do Senhor Jesus ao alimentar uma multidão!

Mateus 14:13-21

13 Jesus, ouvindo isto, retirou-se dali num barco, para um lugar deserto, à parte; sabendo-o as multidões, vieram das cidades seguindo-o por terra. 14 Desembarcando, viu Jesus uma grande multidão, compadeceu-se dela e curou os seus enfermos. 15 Ao cair da tarde, vieram os discípulos a Jesus e lhe disseram: O lugar é deserto, e vai adiantada a hora; despede, pois, as multidões para que, indo pelas aldeias, comprem para si o que comer. 16 Jesus, porém, lhes disse: Não precisam retirar-se; dai-lhes, vós mesmos, de comer. 17 Mas eles responderam: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes. 18 Então, ele disse: Trazei-mos. 19 E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a relva, tomando os cinco pães e os dois peixes, erguendo os olhos ao céu, os abençoou. Depois, tendo partido os pães, deu-os aos discípulos, e estes, às multidões. 20 Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram recolheram ainda doze cestos cheios. 21 E os que comeram foram cerca de cinco mil homens, além de mulheres e crianças.

Jesus alimenta uma multidão e mostra aos discípulos que é preciso crer em Sua provisão

  1. A multidão vai à direção do Mestre

Nos versículos 13 e 14 o texto narra que Jesus vai para um lugar deserto ao tomar conhecimento de que João Batista estava morto (Mt. 14.12), só que a notícia chega ao povo que viera de várias cidades ao seu encontro. O interessante aqui é que diferente da proposta de ficar só, o Filho de Deus é solicitado e apesar dos pesares, está pronto a atender o povo levando cura.

  1. Os discípulos passam por uma prova de fé

As horas vão passando, a fome vai apertando e os discípulos abordam Jesus para que despedisse o povo para um “coffee break”, só que conforme o versículo 16, Jesus nega esse pedido dos discípulos e manda que eles dessem alimento ao povo. Os discípulos só conseguiram alimento para, no máximo, alimentar uma família.

  • Jesus multiplica o alimento e todos se fartam

A partir do versículo 19 temos Jesus aquietando a multidão e realizando este impressionante milagre, alimentando cerca de 20 mil pessoas com cinco pães e dois peixes. Interessante que o texto bíblico diz que a multidão ficou farta de comida e ainda sobrou!

O que para muitos da missão integral é um absurdo, aqui é tratado como bênção! Pessoas fartas e sobra de alimento, foi o resultado do milagre de Jesus. Os discípulos são provados ao exercício de sua fé, que eles já haviam presenciado muitos milagres e agora apenas atentam a uma necessidade básica – comer – e sequer consideram um milagre naquele momento.

Este texto nos mostra que Jesus, além de curas, também está para nos abençoar nas coisas do dia-a-dia. Você ainda tem, ou perdeu o costume de agradecer antes de cada refeição? Na correria do dia-a-dia, ao chegarmos cansados em casa, ainda nos lembramos de agradecer?

Agradeça mesmo sem contabilizar os milagres!!!

{Biblifique-se}

Soli Amori Christi

Pedras no Caminho

Atos 14. 19 – 23

Sobrevieram, porém, uns judeus de Antioquia e de Icônio que, tendo convencido a multidão, apedrejaram a Paulo e o arrastaram para fora da cidade, cuidando que estava morto. Mas, rodeando-o os discípulos, levantou-se, e entrou na cidade, e no dia seguinte saiu com Barnabé para Derbe. E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio e Antioquia, Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus. E, havendo-lhes, por comum consentimento, eleito anciãos em cada igreja, orando com jejuns, os encomendaram ao SENHOR em quem haviam crido. O missionário não desiste ante as perseguições, pois o alvo é o Reino de Deus!

Judeus moradores em Antioquia e Iconio que possivelmente souberam das notícias do sucesso de Paulo e Barnabé em Listra convenceram as pessoas de que as palavras pregadas por Paulo eram mentirosas. Isso levou o povo a tal revolta a ponto de o apedrejar até a morte. Mesmo aparentemente morto o texto fala que Paulo se levantou em meio aos seus discípulos e voltou para a cidade, partindo para Derbe somente no dia seguinte. Está claro também que Paulo sofreu sozinho e sua cura das feridas do apedrejamento foi providencial, já que precisava viajar no dia seguinte. Em Derbe a obra missionária incluía pregar o Evangelho e estabelecer a fé de discípulos naquele local. Após seguiram sua viajem percorrendo Listra, Iconio e Antioquia. A temática da mensagem naquele momento é a perseverança na fé mesmo em meio às perseguições, pois o alvo é o Reino de Deus. Aqui a palavra fé é usada como princípio doutrinário. A expressão Reino de Deus se refere a um novo tempo em que as perseguições sessarão. A palavra usada para a “eleição” dos anciãos significa popularmente uma ação democrática para a escolha. O termo traduzido por anciãos pode também ser traduzido por presbíteros do grego episkopos que significa supervisor, desta forma eram pessoas separadas para supervisionar a ação da proclamação do Evangelho. O jejum era parte da adoração judaica e continuou presente na igreja cristã primitiva. Havia vários motivos ou dedicações para o jejum, neste caso foi com propósito de separar vidas ao ministério da igreja local. Características dos primeiros missionários cristãos:

1. Os missionários são perseguidos

Desde o início das campanhas missionárias, temos registros de perseguição. E mesmo hoje em tempos de globalização, pluralidade e liberdade ainda há perseguição em muitos lugares do globo terrestre. A perseguição é o resultado de ideais que incomodam. No Brasil os cristãos sofrem com choque de ideais, princípios e doutrinas, se vivemos em perseguição é algo questionável. Mas sabemos que os dias à nossa frente podem trazer insatisfação tal que as perseguições sejam fortes em nosso país. Caso isto não aconteça é pelo fato de que evangelho pregado não incomode mais ninguém.

2. Os missionários não desistem

Perseverança é a palavra-chave! Os primeiros missionários cristãos eram pessoas destemidas, não porque era fácil, ou por adquirirem proteção dos novos adeptos. Mas pelo simples fato da certeza, pela fé, na proteção de Deus, pois estavam obedecendo à ordem dEle. O mesmo está para nós hoje, que devemos ser perseverantes e nunca olhar para os desafios com medo, mas permanecer inabaláveis. O nosso Deus nos conhece e é nossa fortaleza!

“O SENHOR é bom, ele serve de fortaleza no dia da angústia, e conhece os que confiam nele.” (Naum 1: 7)

3. Os missionários encorajam

O encorajamento é parte do cuidado pastoral. Constantemente precisamos estar motivando as pessoas à nossa volta. Nada mudou! Desde aqueles dias os fiéis precisam ser motivados. Hoje, em uma geração imediatista, temos vivido em marés de inconstância e chegamos a perder irmãos em cristo em meio a essas crises. Um detalhe forte neste episódio vivido por Paulo é o motivo de seu discurso encorajador: “… importa-nos entrar no Reino de Deus”! É assim que temos encorajado nossos irmãos? O Reino de Deus é nossa morada eterna e juntos chegaremos lá.

4. Os missionários geram discípulos

Multiplicar os propagadores das Boas Novas. Plantar igrejas, fazer discípulos, gerar filhos na fé, são cuidados especiais que precisamos focar em nossa missão. Nos tempos das primeiras missões gerar novos discípulos era de grande importância no crescimento do Evangelho. Será que isso deixou de ser importante hoje? Mas porque é tão difícil fazer novos discípulos em nossas igrejas e acabamos centralizando a missão. É claro que não deve ser assim. Ainda é templo de plantar a mensagem de Deus e os campos são vastos. Eu não posso preparar a terra, plantar, regar, podar os ramos e colher o fruto sozinho. Por isso o exemplo de Paulo é eficaz para nossa realidade. Fazer discípulos de Cristo é preparar o povo de Deus para a Missão!

Se não estou fazendo discípulos é porque não estou seguindo todos os passos daquele que me ensina a SER um discípulo!

Soli Deo Gloria