Luz e trevas

Considero de extrema importância, ao falar de luz, também alertar a respeito das trevas. O antagonismo de um assunto estudado é sempre de grande valia para o melhor entendimento. Assim como para compreender nossa saúde é preciso saber o que nos causa algum mal, ou quando se aprende o que é respeito e “automaticamente” sabe-se o que desrespeito. Na Bíblia há também comparações antagônicas como a historia de Jó que reconhece a soberania de Deus no muito e no pouco ou quando o próprio Jesus ensina a respeito de dinheiro diz: “Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito.” (Lucas 16.10)

Vamos ver o que Paulo escreveu  respeito de luz e trevas em 2 Coríntios 6.14-18:

14 Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos; pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? ou que comunhão tem a luz com as trevas?15 Que harmonia há entre Cristo e Belial? ou que parte tem o crente com o incrédulo?16 E que consenso tem o santuário de Deus com ídolos? Pois nós somos santuário de Deus vivo, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.17 Pelo que, saí vós do meio deles e separai-vos, diz o Senhor; e não toqueis coisa imunda, e eu vos receberei;18 e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso.

  1. Jugo desigual

2 Coríntios, que é uma carta doutrinária à igreja, ou seja, nela são aplicados princípios e valores para a vida de uma comunidade de fé de um povo que se diz cristão, assim cabe a nós. No versículo 14 somos colocados frente a duas interrogações comparativas: de um lado temos a justiça e luz; e do outro lado temos injustiça e trevas.

Aqui a proposta pedagógica de Paulo é muito simples e direta. Ninguém pode dizer que é luz e agir de maneira injusta, assim como ninguém pode se dizer justo e viver em comunhão com as trevas. Ambos estariam em contradição! Assim devemos ter muito cuidado em todos os nossos relacionamentos, pois em muitos casos somos coniventes com a injustiça a qual reina as trevas. Está escrito: “Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz, nisto está pecando.” (Tiago 4.17)

  1. Santuário de Deus

Nos próximos versículos as comparações continuam, dessa vez do “lado direito” temos: Cristo, crente e santuário de Deus; e do “lado esquerdo” temos: Belial, incrédulo e ídolos. Se realmente somos santuário de Deus, então não deve haver nenhuma possibilidade de harmonia entre esses dois lados. Veja que de um lado o ponto principal é Jesus e do outro Belial ou o Maligno (outras versões), assim não ha meio termo, ou é ou não é! É impossível servir a dois senhores (cf. Mateus 6.24).

Conforme a parte b do versículo 16, que diz: “Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo”. Temos uma enorme honra e ao mesmo tempo uma responsabilidade gigante que é ser povo de Deus e habitat dEle! Será que nossas atitudes revelam tamanha honra e responsabilidade em ser casa de Deus? Ao saber que Deus está entre nós, isso nos traz algum desconforto? Se sim… esta casa ainda precisa de reforma!

  1. A vontade de um Pai

O versículo 17 é um chamado à santidade. A separação aqui se completa no sentido do texto que vai desde não andar em jugo desigual; não amar o mundo; não ter comunhão com o pecado e nem com pecadores. Isto é ser santo ou separado. Para viver assim temos o maior exemplo que é Jesus. E para que não sirva como argumento de que é impossível ser santo ou proclamar o evangelho sem nos aproximar dos pecadores, Jesus Cristo viveu entre pecadores mas não viveu em pecado. A expressão “não toqueis” deste versículo deixa claro a possibilidade e facilidade que temos de nos contaminar ao pecado.

Por fim, o escritor Paulo apresenta esta vontade de Deus que é o reconhecimento de seus filhos em nós, como foi com o profeta Oséias no capítulo 1, versículo 10. A vontade de todo bom pai é que seu filho obedeça e ande nos caminhos que ele considera benéfico para a sua vida. Da mesma forma o nosso Deus que é bom, alias, Deus é boníssimo, quer o melhor para seus filhos. Assim está escrito: “Pois todos os que são guiados pelo Espirito de Deus são filhos de Deus” (Romanos 8.14).

Simples assim!

Soli Amori Christi

A natureza humana de Jesus

Lucas 4. 1-12

Há uma discussão teológica sobre a natureza de Deus. Não quero entrar nas expressões teológicas aqui, mas acredito em Jesus foi homem e é Deus (100% homem e 100% Deus). O texto bíblico aqui aplicado vai nos mostrar o quanto é importante compreender esta questão.

Em Lucas 4. 1-4 está escrito:

“E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto; E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e naqueles dias não comeu coisa alguma; e, terminados eles, teve fome. E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão. E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus.”

Vamos analisar aspectos importantes desta narrativa:
1.O Espírito Santo o guia ao deserto;
2.Jesus foi tentado pelo diabo;
3.O diabo procura atingir a primeira carência natural de Jesus homem.

Se não pela força, quem sabe Lhe oferecendo poder! O inimigo da fé,por não ter conseguido sucesso tenta por outros meios e oferece a Jesus os reinos de toda a terra.

Lucas 4. 5-8

“E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se tu me adorares, tudo será teu. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o SENHOR teu Deus, e só a ele servirás.”

A proposta do diabo era desviar Jesus do seu propósito. O poder é algo que corrompe muita gente. Humanamente falando, todos somos, de alguma forma atraídos pelo poder. Jesus foi provado vencendo esta segunda tentação porque Ele é Deus e nos ensina que nossa meta deve ser sempre servir ao nosso único Deus.

Em Lucas 4. 9-12, está escrito:

“Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem, E que te sustenham nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus.”

Neste terceiro momento o diabo usa palavras bíblicas para tentar enganar Jesus. Jesus usa novamente a Sagrada Escritura como resposta. Temos diante de nós um combate entre entre o Rei dos reis e o derrotado. Claro que o inimigo é derrotado em Cristo Jesus. Mas o Jesus homem nos mostra que não estamos imunes a estas armadilhas e cabe a nós combater com a Palavra da vida.

Soli Deo Gloria