“Por inteiro”

Como seria sentir-se pela metade? Ou como nos sentimos quando algo muito importante nos falta? “Por inteiro” é uma expressão que traz uma proposta de completude, totalidade e viver assim, para muitas pessoas é algo inalcançável! Vivemos em tempos onde é nos apresentado uma ideia de que para ser feliz é preciso ter tudo aquilo que o dinheiro pode comprar e neste constante crescimento de redes sociais, as pessoas se vêem quase que obrigadas a transmitir quem elas exatamente não são. O que se vê, então, são publicações da caricatura de si onde tenta-se transmitir a informação de que a vida é perfeita.

Na Palavra de Deus e especialmente nos tempos em que Jesus caminhou sobre a terra nao haviam redes sociais virtuais, mas sim gente que convivia com gente! E no meio das camadas sociais haviam pessoas insatisfeitas, incompletas e com certeza uma rede social que sentia-se assim eram os religiosos. Vejamos este dialogo em Lucas 10.25-29:

25 E eis que certo homem, intérprete da Lei, se levantou com o intuito de pôr Jesus à prova e disse-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? 26 Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas? 27 A isto ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 28 Então, Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto e viverás. 29 Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo?

A busca pela vida eterna leva um homem religioso a receber de Jesus o guia para viver por inteiro.

  1. A busca pela eternidade

Este homem do versículo 25 não tem nome. O que nos cabe saber dele é que conhecia a Lei, era um religioso, e como qualquer religioso dos nossos dias, é o tipo de pessoa mais preparado para burlar a fé. A narrativa diz que o intuito deste homem era colocar Jesus à prova e desta maneira ele interroga o Mestre.

A resposta interrogativa de Jesus leva o religioso a experimentar em palavras o cerne da Lei, pois era comum que um interprete da Lei fosse alguém bom com as palavras e ruim com a pratica e ninguém é feliz assim, ninguém é completo assim…

  1. A lei do amor (por inteiro)

A resposta do religioso no versículo 27 está cheia de conhecimento, só que provavelmente vazia de sentido. Aquele homem conhecia a vontade de Deus, mas infelizmente a Verdade Eterna não “saltava” do texto para seu interior. Há um cenário parecido em que Jesus é interrogado a respeito dos mandamentos, vejamos:

28 Chegando um dos escribas, tendo ouvido a discussão entre eles, vendo como Jesus lhes houvera respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o principal de todos os mandamentos? 29 Respondeu Jesus: O principal é: Ouve, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! 30 Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. 31 O segundo é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes. (Marcos 12.28-31)

Estar, ou melhor, viver por inteiro é compreender e praticar todo o real sentido deste amor, um amor sem fronteiras, sem amarras. Um amor único e supremo ao nosso Deus e um amor multidirecionado que parte de nós para nós e de nós para todos à nossa volta!

  1. A falta desse amor (pela metade)

Uma das maravilhas da Revelação é nela conter bons e maus exemplos. Aqui chegamos ao versículo 28, onde Jesus diz que a prática destes dois mandamentos traz vida. Logo o versículo que segue apresenta a incapacidade que o religioso tem em enxergar o próximo.

Neste capitulo do Evangelho de Lucas, após este texto, Jesus traz a conhecida parábola do samaritano que fora assaltado e largado pela estrada. Esta parábola representa um mundo em que as redes sociais nos afasta do “próximo”. Não nos sentimos completos por que não amamos ao nosso Deus com toda nossa força e nem com todo o nosso entendimento e consequentemente nos sentimos incompletos por que sequer conhecemos o próximo, como então amá-lo?

Ame Deus por inteiro e distribua este amor em sua rede social real! Assim, a vida será completa!

Soli Deo Gloria

A Lei do Amor

Ao pensar em uma mensagem especial para um dia de Batismo e Ceia do Senhor, comecei a orar e refletir sobre SER IGREJA e as implicações do amar uns aos outros. O quanto falamos de amor, cantamos amor, escrevemos amor e nem sempre esse amor é tão perceptível em nossas atitudes. Pense bem!

Certa vez um escriba, homem conhecedor das Escrituras, chega a Jesus e o interroga acerca dos mandamentos perguntando qual seria o mais importante. Disse-lhe Jesus: “Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes.” (Cf. Mc 12. 30 31). Após essas palavras, reflita a seguinte frase:

“Você cuida a quem ama. Se não cuida é porque não ama!”

Ouvi essas palavras de um professor no seminário que me chamou atenção ao modo de vida que levamos na igreja (corpo de Cristo) hoje em dia. Devo pensar que ao fazer parte do Corpo de Cristo passo a amar os outros membros desse mesmo Corpo, pois são parte desse corpo assim como eu. Se qualquer parte do Corpo sentir, eu devo também sentir e se alguma parte do Corpo se desliga isso deveria me causar um grande desconforto. Mas não é isso exatamente que acontece.

Vejamos o que está escrito em I Coríntios 12. 12 – 27:
“Porque, assim como o corpo é um, e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também. Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito. Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo? E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo? Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; E os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela; Para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele. Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular.”

I. O amor não escolhe – mesmo de raízes, costumes, culturas e personalidades diferentes, todos formamos um Corpo: “… e todos temos bebido de um Espírito”. (cf. 12. 13). O Espírito Santo de Deus é comum a todos aqueles que são renascidos em Cristo Jesus. As diferenças se encontram no corpo e cada membro tem sua importância em fazer parte: mão, ouvido, olho. Tudo faz parte do corpo.

II. O amor une – independente do que nos pareça importante cada membro do corpo tem o seu papel. A função da mão é muito importante (escrever, nos alimentar, fazer carinho, escovar os dentes, etc), mas seria mais importante do que os pés que nos sustentam? Todo o conjunto se ajusta colaborando uns com os outros.

III. O amor acolhe – não se pode desprezar simplesmente por não nos parecer importante. Acontece em comunidades de fé, que se o novo membro tem algo a oferecer o tratamos com mais importância, caso contrário, o trataremos apenas como “mais um” em nosso meio. No corpo, observando as palavras de Paulo, percebe-se uma atenção aos que recebem menor importância para que haja equilíbrio.

IV. O amor é contagiante – a alegria de qualquer um no Corpo de Cristo se reflete em toda a comunidade. Assim como se um se entristecer, todos sentem com ele e não apenas por ele. Aqui volto a insistir, pensando em integração (batismo) e comunhão (ceia do Senhor), se um membro do Corpo se alegra e eu não, ou se um membro sofre e se entristece por algum motivo e eu nem ligo é pelo simples fato… NÃO FAÇO PARTE DESTE CORPO!

É triste pensar que há pessoas que simplesmente não fazem parte do Corpo. Não quero condenar ninguém, mas alertar o povo de Deus! Ser parte do Corpo de Cristo implica em amar incondicionalmente, o amor cuida se não cuida é porque não ama! Sei que não é fácil, nossa sociedade nos acostuma a viver de forma independente e egoísta. Mas não somos deste mundo, somos o povo de propriedade exclusiva de Deus! Então vamos celebrar o amor, cuidar uns dos outros, viver o testemunho cristão de dar a vida em favor do nosso irmão!

Soli Deo Gloria