Deus é Deus e o esvaziamento de conteúdo

Quem me conhece sabe o quanto sinto muito pelo desenvolvimento “ladeira abaixo” da música no mundo evangélico. E diferente do que alguns pensam eu não fico criticando movimento gospel apenas por ser um chato.

Tudo bem, eu sou um chato! Mas qualquer bom leitor de Bíblia precisa concordar que conteúdo bíblico está desaparecendo dos movimentos “gospeis” e isso já tem um tempo. Outra coisa é que a música ruim me incomoda, não porque sou anti-arte. Pelo contrário, eu amo música, passo o dia todo ouvindo minhas playlists e por isso a queda de qualidade me atinge tanto. Mas não apenas a mim. Eu sinto muito por todas as pessoas vinculadas a um movimento cheio de pessoas vazias! Um copo vazio está sempre cheio de ar…

Me incomoda ouvir rimas soltas e músicas comerciais que perdem em qualidade musical e intelectual para as músicas de propaganda de refrigerante. Letras que reproduzem o óbvio, como luz é luz, branco é branco ou Deus é Deus. Artistas que arrancam aplausos e assobios da platéia ao fazer uma performance de dança, não que seja contra a dança, assim como a música, dança é uma expressão de arte. Mas quando dizem que dança é uma forma de adoração pública, eu sinto muito. Pois caso o dançarino seja um adorador, todo o público é simplesmente telespectador de adoração! A música (com conteúdo), mesmo que não saibamos cantar, serve para nos edificar, assim como a pregação. Mas, o que o outro dançando me edifica?

Será que estamos refletindo tudo isso? Está escrito: Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente. (1Coríntios 14:15)

Eu oro a Deus clamando por uma juventude que busca inspiração nas Escrituras para desenvolver sua arte e, assim, contrapor esse movimento que faz músicas legais e depois buscam na Bíblia justificativas para suas letras que às vezes “ninguém explica”.

Eu peço a Deus que aumente meu temor à Ele mesmo. Pois só assim vou preparar sermões que trazem Cristo como centro e não os meus achismos.

E peço perdão por todas as vezes em que empobreci o discurso para satisfazer ao homem.

Soli Amori Crhisti

Movimento desagradável

“… A rejeição será parte de nossa vida como cristãos. Nem todo mundo vai gostar de nós ou de nossa mensagem. Essa declaração é um tapa na cara da maioria dos modelos pragmáticos de igreja que estão por aí desde a década de 1980, segundo os quais ser querido (e, portanto, ser frequentado) é o valor mais elevado.”

Extraído de: Por Que Amamos a Igreja (Kevin DeYoung e Ted Kluck)

Você consegue imaginar a igreja evangélica como um movimento desagradável?

Pois esta era a posição de muitos cristãos da igreja primitiva! Vejamos o texto bíblico em Atos 6:

1 Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária.2 Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas.3 Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço;4 e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra.5 O parecer agradou a toda a comunidade; e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.6 Apresentaram-nos perante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos.7 Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé.

8 Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.9 Levantaram-se, porém, alguns dos que eram da sinagoga chamada dos Libertos, dos cireneus, dos alexandrinos e dos da Cilícia e Ásia, e discutiam com Estêvão;10 e não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava.11 Então, subornaram homens que dissessem: Temos ouvido este homem proferir blasfêmias contra Moisés e contra Deus.12 Sublevaram o povo, os anciãos e os escribas e, investindo, o arrebataram, levando-o ao Sinédrio.13 Apresentaram testemunhas falsas, que depuseram: Este homem não cessa de falar contra o lugar santo e contra a lei;14 porque o temos ouvido dizer que esse Jesus, o Nazareno, destruirá este lugar e mudará os costumes que Moisés nos deu.15 Todos os que estavam assentados no Sinédrio, fitando os olhos em Estêvão, viram o seu rosto como se fosse rosto de anjo.

O desagrado do povo leva à necessidade de novos líderes e aquele que é usado por Deus causa incômodo social.

  1. Desagrado na igreja (1-7)

Como vimos anteriormente em Atos, Deus deu crescimento para os primeiros cristãos, ainda que o foco dos discípulos era a pregação da Palavra e não o número de convertidos. Só que junto ao crescimento, surge uma necessidade justificável de organização entre os líderes na igreja.

O versiculo 1 fala de dois grupos étnicos: Helenistas e hebreus. O primeiro reclamava que as viúvas não eram atendidas conforme o segundo grupo. Vale salientar que os Helenistas eram judeus de língua grega e o segundo eram judeus que falavam aramaico. Por conta disso é possível que o problema aqui não seja um descaso com as viúvas, e sim falta de comunicação.

Os versículos 2 a 4 é o discurso dos apóstolos acerca de suas responsabilidades e que era preciso eleger mais líderes com diferentes funções para atender a demanda da igreja.  Vale frisar o “curriculum” desses homens: “de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria.” (Cf. Vs. 3)

O versículo 4 eles determinam suas funções que é basicamente orar e pregar!!!

Apesar do desagrado anterior, conforme o versículo 5 a comunidade se agradou dessa decisão e escolhendo os 7 homens o qual foram consagrados  a consequências disso está no versículo 7, que diz: “Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé.”

Aqui vimos que uma igreja desorganizada gera murmuração e o caminho para resolver esse problema é envolver-me na organização da igreja, ou seja, servir! Não é incomum ver que os murmuradores de igreja são, na maioria das vezes, telespectadores da igreja e pouco se envolvem na organização.

  1. Desagrado social (8-15)

Aqui a narrativa muda de foco. Pois entre os escolhidos para assumir novas responsabilidades na igreja, um homem cheio de graça e poder, realizava grandes feitos entre o povo. Este homem era Estevão, e assim como Cristo Jesus, Estevão incomodou os religiosos de plantão!

Conforme o versículo 9 e 10, temos aqui pelo menos judeus de 4 sinagogas e culturas diferentes e TODOS ELES estavam incomodados com Estevão. Detalhe é que esses religiosos “perdiam” na argumentação de Estevão pois sua fala tinha sabedoria e o Espírito.

O texto segue narrando que esses líderes judeus (na minha opinião – eles não tinham argumentos) financiaram um plano para levantar caluniadores e, somente assim, acusar Estevão ao ponto de levá-lo a julgamento diante do sinédrio. O foco da acusação era o conteúdo da pregação, pois ele pregava a respeito das Boas Novas, ou seja, o Reino de Deus revelado em Jesus Cristo.

O melhor desta narrativa é “a cara” de Estevão diante do desagrado social gerado por estes religiosos. Há quem diga que esta foi uma maneira de descrever que Estevão se encontrava: puro, calmo, de postura serena e que irradiava a presença de Deus!

Neste segundo bloco, um homem cheio do Espírito Santo, escolhido pela igreja primitiva é perseguido por falar com autoridade a respeito de Jesus. Infelizmente nas cenas do próximo capítulo, a história desse missionário termina (alerta spoiler) com um final trágico e a entrada de Saulo ainda jovem nas narrativas de Atos.

Seja igreja ainda que não agrade a todos!!!

Soli Amori Christi