Perder para ganhar

A carta de Paulo aos filipenses “fala muito em poucas palavras”. O autor conseguiu agradecer uma oferta da igreja, recomendar líderes para a direção da igreja, alertar e até exortar a igreja em apenas 4 curtos capítulos. Vejamos o que fora tratado no capítulo 3, e se essas considerações aplicam-se a nós hoje…

Filipenses 3:2-11

2 Acautelai-vos dos cães! Acautelai-vos dos maus obreiros! Acautelai-vos da falsa circuncisão! 3 Porque nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos a Deus no Espírito, e nos gloriamos em Cristo Jesus, e não confiamos na carne. 4 Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: 5 circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, 6 quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. 7 Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. 8 Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo 9 e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; 10 para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; 11 para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos.

  1. Padrão de Cristo de qualidade

O versículo 2 chama à igreja a uma vida cautelar longe da falsidade. Consequentemente o versículo 3 reforça a ideia de que a fé verdadeira já era vivida por eles, pois era uma fé que busca Deus em Espírito, não “na carne”.

O versículos 4 a 6, Paulo fala de si, quando ele seria aprovado segundo “a carne”. Assim como o próprio disse em Atos 26.5: pois, na verdade, eu era conhecido deles desde o princípio, se assim o quiserem testemunhar, porque vivi fariseu conforme a seita mais severa da nossa religião.

Aqui Paulo deixa uma das marcas do padrão Cristo de qualidade – Perder para ganhar – dessa forma é que ele descreve sua vida e logo nos versículos que seguem (vs. 7 e 8). No verso 9 Paulo fala da justificação pela fé em Cristo e que ao tomarmos com Ele a Sua morte (vs.10), somos também com Ele ressurretos (vs.11)!

Filipenses 3:12-16

12 Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. 13 Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, 14 prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. 15 Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. 16 Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos.

  1. Buscando esse padrão

Agora Paulo vai mostrar as referências para esse padrão Cristo de qualidade, não considerando-se perfeito (como dominador de tal assunto), mas seguindo os passos de Jesus. Os versículos 13 e 14 são uma síntese do ministério de Paulo, suas palavras aqui são de extrema importância para compreendermos toda essa carta. No 13 ele deixa claro que, apesar de ter uma historia de religioso irrepreensível e depois de missionário plantador, pouco importa quando seu foco é o que está adiante! E o que está adiante? Esse é o padrão Cristo de qualidade: “o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus”. Que é nada mais nada menos, entregar a própria vida em favor do outro – maior prova de altruísmo que alguém pode fazer, esse é o prêmio, esse é o padrão!

Os versículos 15 e logo o 16 completam-se em tom de ironia. Aquele “que se consideram perfeitos”, Deus vai trazer luz ao entendimento, se ainda assim alguém considera-se perfeito então ande de acordo com essa perfeição.

Filipenses 3:17-21

17 Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós. 18 Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. 19 O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas. 20 Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, 21 o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas.

  1. Vivendo esse padrão

O grande e difícil lance é viver esse padrão! Para isso é que Paulo pede que sigam seus passos, mostrando que é possível e no versículo 18 fala chorando que dentro da igreja há inimigos da cruz… será que existem mesmo pessoas assim? O versículo 19 aponta o perfil dessas pessoas.

Os dois versos finais deste capítulo trazem o valor que temos em buscar o padrão Cristo de qualidade, que é garantir nosso destino numa pátria celestial ao lado do nosso Senhor a qual nos liberará deste corpo pecaminoso para viver debaixo da glória dEle.

Viver esse padrão é difícil, porém não impossível! É viver longe de toda falsidade, buscando o modelo de Cristo em nossas vidas e viver assim até que Ele venha e nos leve para toda a eternidade!

Soli Amori Christi

Venha teu reino

No texto conhecido como oração modelo contida em Mateus 6, temos a seguinte sequencia de palavras mencionadas por Jesus no versículo 10: “venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu;” Aqui, o pedido para que o Reino de Deus venha está intrinsecamente ligado as palavras que seguem, declarando simplesmente que a vontade de Deus é soberana em nós!

Refletir acerca de soberania e senhorio é complicado, pois nós somos “treinados” para sermos os melhores em tudo e isso começa em casa com o famoso: Vamos ver quem termina primeiro? Daí para frente nossa vida torna-se uma competição – o melhor filho, o melhor aluno, o melhor músico, o melhor atleta, o melhor no vestibular, o melhor num concurso, o melhor na profissão, o melhor pai, o melhor avô e, até o defunto mais homenageado.

Queremos ser vitoriosos em tudo. O que acaba tornando-nos em primeiro lugar, péssimos perdedores e em segundo lugar, pessoas com dificuldade de posicionar-se abaixo de alguém, pois inconscientemente ou não queremos ser líderes de nós mesmos. O que dizer então de um Evangelho que ensina que para ser feliz é preciso perder?

Vejamos em Marcos 8.34 – 9.1

34 Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. 35 Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de mim e do evangelho salvá-la-á. 36 Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? 37 Que daria um homem em troca de sua alma? 38 Porque qualquer que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos ​1 Dizia-lhes ainda: Em verdade vos afirmo que, dos que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam ter chegado com poder o reino de Deus.

Jesus ensina a seguí-lo no caminho da cruz perdendo nesta vida para viver o Reino de Deus

  1. O Caminho da cruz (vs. 34,35)

Se observarmos bem, a maioria das igrejas católicas trazem afixadas nas paredes dos templos a chamada Via Crucis que retrata em 14 quadros imagens de tristeza e dor, o caminho de Jesus desde o Pretório de Pilatos, onde é declarado seu castigo, até o Calvário. Também conhecida como via dolorosa, o percurso da crucificação de Jesus é uma verdadeira cena de horror.

O que normalmente nunca pensamos é que seguir Jesus cabe a nós o caminho da cruz. Qual seria este caminho? Segundo o texto do versículo 35, o caminho da cruz é um caminho em que se perde a vida. Jesus entregou a vida por nós! A cruz que o inculpável Jesus carregou continha os nossos pecados e nós temos a pretensão de achar que nossas “cruzes” são os nossos problemas, nossas crises. Pobre visão a nossa, quando a verdadeira cruz de Jesus é a dor do outro, o pecado do outro, a vida do outro. Infelizmente nosso egoísmo não nos deixa enxergar desta maneira.

  1. Perder para viver (vs. 36-38)

Quanto custa uma alma? Ou qual seria o real valor dela? Em Fortaleza, estive no conhecido mercado central e fui em busca de uma mochila de couro. Ao ver uma mochila que gostei, parti em busca do melhor preço e no final, após muita pechincha, consegui um desconto de 60% do valor inicial do produto. Isto me fez pensar qual seria o real valor do que acabei de comprar.

Um seguro de vida pode até determinar o valor de nosso corpo mortal, mas será que alguém tem condições de determinar o valor da alma que é eterna? O valor declarado em números eu não sei dizer. Apenas sei que Deus se doou à humanidade como filho para pagar o real valor de nossa alma, assim só Deus sabe o preço.

Jesus Cristo entregou-se para que o preço do pecado estivesse pago, por isso o versículo 38 trata com dureza aqueles que negarem real valor da morte e ressurreição de Cristo em nós. Disse: “Porque qualquer um que se envergonhar de mim e das minhas palavras, também o filho do homem se envergonhará dele.”

  1. O Reino de Deus (vs. 1)

Na terceira parte da franquia Senhor dos Anéis – o retorno do rei. Segue a trama em que Sauron planeja um grande ataque a capital de Gondor o que leva ao rei de Rohan reunir um exército contra as forças do mal. No filme somente o rei tinha a influencia para reunir tal exercito contra Sauron.

Nós temos um Rei, nós somos seu exército e somente reconhecendo seu senhorio sobre nós é que teremos condições de viver seu Reino. Sim, venha a nós o Teu Reino, Senhor somos teus servos que atentamente ouvimos tua voz e obedecemos como crianças atentas a voz de um pai protetor. Sejamos então ingênuos quanto toda oferta de pecado para viver o Reino, porque está escrito: “Em verdade vos digo: Quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira alguma entrará nele.” (Lucas 18.17)

Então tome sua cruz, perca sua vida e viva o Reino de Deus!!!

Soli Deo Gloria