Enquanto é tempo

Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.” (Salmo 90.12)

O que pensar do tempo?

O tempo é um vilão em muitas histórias. Mas o tempo também é um herói. Como vilão o tempo nos faz envelhecer, nos aproxima da morte, afasta pessoas… Como herói o tempo nos dá maturidade, aproxima os salvos da eternidade e estreita laços de amizade. O tempo, então é bom e ruim em nossa compreensão.

O lado “vilão” do tempo pode ser encontrado desde o início, veja o que está escrito em Gênesis 3.17: E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. O desgaste do tempo sobre nós é uma das consequências da desobediência a Deus.

Agora vejamos o que diz Pedro em 2 Pedro 3.1-9:

1 Amados, esta é, agora, a segunda epístola que vos escrevo; em ambas, procuro despertar com lembranças a vossa mente esclarecida, 2 para que vos recordeis das palavras que, anteriormente, foram ditas pelos santos profetas, bem como do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos vossos apóstolos, 3 tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões 4 e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação. 5 Porque, deliberadamente, esquecem que, de longo tempo, houve céus bem como terra, a qual surgiu da água e através da água pela palavra de Deus, 6 pela qual veio a perecer o mundo daquele tempo, afogado em água. 7 Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios. 8 Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia. 9 Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.

  • Devemos trazer à memória as promessas

Considero incrível a capacidade que o ser humano tem de tão facilmente lembrar fatos que marcaram negativamente sua vida, enquanto aos grandes e melhores momentos, em muitos casos ficam destinados às fotos arquivadas e vídeos perdidos. Na verdade, hoje em dia, perdemos tanto tempo registrando os melhores momentos que perdemos tempo para verdadeiramente viver esses momentos.

Usar a memória é inclusive um desafio para pessoas como eu, que têm uma enorme dificuldade de memorização. Mas a Palavra de Deus é recheada de pessoas que dependiam de sua memória para compartilhar os decretos de Deus. Tanto no Antigo, quanto no Novo Testamento era estritamente necessário o uso da memória para viver e pregar a Palavra, pois a escrita não era tão acessível a todos. No texto de nossa reflexão, Pedro afirma que muitos zombarão da fé cristã pelo fato de que não consideram aquilo que foi mencionado pelos nossos antepassados servos de Deus.

  • O Criador é também o Justo Juiz

Pedro alerta que esses zombadores não reconhecem Deus como o criador de todas as coisas e que também é justo. Através de sua justiça, considerou que o mundo precisava de um sacrifício, onde segue o dilúvio. Só que para a atualidade o mesmo texto diz “pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios”. Fogo, Juízo e destruição. Essas três palavras são muito fortes e de uma linguagem pesada, porém carregam em si toda um proposta de Deus para a humanidade. Se outrora o mundo passou pelo julgamento de Deus e o resultado foi água, dessa vez o fogo julgará. O fogo tem um amplo significado na Palavra, desde os sacrifícios na cultura do Antigo Testamento à manifestações da presença de Deus. Aqui eu recorro ao fogo que considera separação. O fogo é também usado para atestar a pureza do ouro, assim será no dia do juízo, onde Cristo julgará e separará àqueles que são o seu povo seguido da condenação dos ímpios

  • Deus aguarda nosso arrependimento

Os versículos seguintes tratam inicialmente a apresentação da perspectiva de Deus em relação ao tempo. Uma tentativa de explicar a atemporalidade do Criador. Se para nós o tempo é linear, para Deus o tempo cronos simplesmente não existe, ou seja, para Ele tudo é, foi e será ao mesmo tempo. Ainda assim, apesar de toda a dureza dos versículos anteriores que anunciam o julgamento final, somos apresentados à missericórdia e longaminidade de Deus. Que, para muitos a aparente demora para a volta de Jesus é tão só e simplesmente um ato de amor do nosso Deus, que aguarda não o arrependimento de todos. Conforme o texto, Pedro diz: “…senão que todos cheguem ao arrependimento”. Chegar ao arrependimento é o reconhecimento ou a oportunidade de salvação dada à humanidade.

Assim, o tempo que é tanto um vilão como um herói a qual aguardamos anciosamente o retorno do Rei deve ser compreendido por nós como a expressa manifestação do amor do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Soli Amori Christi

POUCOS OS ESCOLHIDOS

Você já ouviu a expressão: “Muitos são chamados, mas poucos escolhidos”? Quem sabe você já mencionou isto! Então, onde será que nos encontramos, entre os chamados ou como um escolhido? Foram perguntas assim que me levou a refletir o texto a seguir…

Mateus 22. 1-14

Então Jesus, tomando a palavra, tornou a falar-lhes em parábolas, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um certo rei que celebrou as bodas de seu filho; E enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir. Depois, enviou outros servos, dizendo: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado, os meus bois e cevados já mortos, e tudo já pronto; vinde às bodas. Eles, porém, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu tráfico; E os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram. E o rei, tendo notícia disto, encolerizou-se e, enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade. Então diz aos servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos. Ide, pois, às saídas dos caminhos, e convidai para as bodas a todos os que encontrardes. E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial foi cheia de convidados. E o rei, entrando para ver os convidados, viu ali um homem que não estava trajado com veste de núpcias. E disse-lhe: Amigo, como entraste aqui, não tendo veste nupcial? E ele emudeceu. Disse, então, o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, levai-o, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes. Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.

Nesta parábola Jesus ensina que um rei está celebrando uma festa para seu filho, levando em consideração que este rei é o próprio Deus, o seu filho é Jesus Cristo e os convidados são os pecadores precisamos entender que:

O Senhor convida todos para o seu Reino, mas nem todos querem ou estão prontos!

1.Indiferentes e rebeldes
Em meio ao nosso mundo existem pessoas que não querem aceitar a Palavra de Deus e a salvação em Jesus Cristo! Esta é uma triste verdade e como nosso dever é anunciar o Evangelho, não podemos desanimar. Neste texto temos o relato que muitos dos convidados para a festa foram indiferentes ao convite e não foram, já outros foram mais enérgicos e se rebelaram chegando a matar os servos que os foram convidar. Que mundo é este em que pessoas morrem por fazer a vontade do Senhor? “Por amor de ti, somos entregues a morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro.” (cf. Romanos 8. 36) O Apóstolo Paulo dá deste testemunho como uma vida honrada de correr o risco de morrer por amor ao Evangelho. Será que temos esse amor?

2.À procura dos justos
Nos versículos 8 e 9 temos o senhor a procura de pessoas dígnas de participar da festa. No Salmo 143. 2 está escrito: “Não entres em juízo com teu servo, porque à tua vista não há justo nenhum vivente.” Onde estão os justos na Terra? Se não há justos, o que fazer? A boa notícia é que há um justificador. Está escrito: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente , por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus.” Eis nossa justiça: JESUS CRISTO!

3.Em meio aos chamados há quem não foi escolhido
Por fim, no texto base de nossa reflexão, temos um exemplo de alguém que mesmo entre os chamados não fazia parte dos verdadeiros escolhidos pelo rei, disse: “Amigo, como entraste aqui não tedo veste nupcial?” Este homem não estava preparado ou não tinha as vestes separadas para esta ocasião. Penso nas vestes nupciais como a santidade que é estar separado para o grande dia. Pois está escrito em Hebreus 12. 14: “ Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá ao Senhor.”

Desse modo sigamos todos em paz, vestidos de santidade e estaremos juntos na festa do Senhor. Naquele dia, para nossa alegria, não existirá dor, nem pranto e todos juntos louvaremos ao Senhor!

Soli Deo Gloria