Vingadores: Guerra e Sacrifício

Após assistir a recente estréia dos filmes da Marvel Studios intitulado Vingadores: Guerra infinita, eu fiquei impactado com o formato de filme ou “meio filme” que este universo cinematográfico desenvolveu.

É o primeiro filme desta natureza que a historia gira em torno do vilão e não especialmente nos heróis. E para não dar spoilers eu vou direto à aplicação de algo que mais me chamou atenção no filme… a ideia de sacrifício!

Pois é. Sacrifício é algo que está tão presente no cristianismo, é abordado em diferentes perspectivas no longa metragem, seja por boa razão ou não.

Na Bíblia há um primeiro sacrifício realizado pelo próprio Deus em animais, para que a nudez de Adão e Eva fosse coberta. Isso se deu como necessário após a desobediência a Deus em que o casal provou do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Árvore essa que Deus havia proibido o acesso no seu jardim.

Desde então, o homem desobediente aprendeu a realizar sacrifícios para “cobrir” seus pecados, até que vem o grande sacrifício realizado por Cristo Jesus, ao se entregar e morrer para que tivéssemos vida (João 3.16).

Mas não creio que o grande sacrifício simplesmente sessou a necessidade de sacrifícios em nossas vidas. Calma! O sacrifício de Jesus é completo e único em seu propósito, porém todo bom e verdadeiro cristão sabe que para exercer sua fé, é preciso sacrificar muitas situações na vida, inclusive o próprio EU.

No filme temos o sacrifício heróico e o sacrifício insano e quando penso em aplicar na vida cristã, vejo que não cabe nem um desses dois sacrifícios. Na vida cristã temos pelo menos dois outros sacrifícios:

1. Gratidão – não há algo que façamos que possa pagar o preço de Jesus na cruz. Desse modo, qualquer sacrifício meu por amor ao Evangelho é pouco, porém como sou eternamente grato a Deus, devo viver em eterna gratidão;

2. Obediência – Jesus Cristo nos deixou uma missão e ela vem sendo cumprida pelos discípulos e seguidores de Jesus, independente das consequências e na maioria dos casos há muito sacrifício para seguir e servir a Deus.

Sei que não estamos num filme.

A vida real é cheia de guerras e sacrifícios.

Minha oração é que estejamos do lado certo da guerra e sacrificando aquilo que realmente importa para nossa vida com Deus!

Soli Amori Christi

Enquanto é tempo

Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio.” (Salmo 90.12)

O que pensar do tempo?

O tempo é um vilão em muitas histórias. Mas o tempo também é um herói. Como vilão o tempo nos faz envelhecer, nos aproxima da morte, afasta pessoas… Como herói o tempo nos dá maturidade, aproxima os salvos da eternidade e estreita laços de amizade. O tempo, então é bom e ruim em nossa compreensão.

O lado “vilão” do tempo pode ser encontrado desde o início, veja o que está escrito em Gênesis 3.17: E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. O desgaste do tempo sobre nós é uma das consequências da desobediência a Deus.

Agora vejamos o que diz Pedro em 2 Pedro 3.1-9:

1 Amados, esta é, agora, a segunda epístola que vos escrevo; em ambas, procuro despertar com lembranças a vossa mente esclarecida, 2 para que vos recordeis das palavras que, anteriormente, foram ditas pelos santos profetas, bem como do mandamento do Senhor e Salvador, ensinado pelos vossos apóstolos, 3 tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias, virão escarnecedores com os seus escárnios, andando segundo as próprias paixões 4 e dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? Porque, desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação. 5 Porque, deliberadamente, esquecem que, de longo tempo, houve céus bem como terra, a qual surgiu da água e através da água pela palavra de Deus, 6 pela qual veio a perecer o mundo daquele tempo, afogado em água. 7 Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios. 8 Há, todavia, uma coisa, amados, que não deveis esquecer: que, para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia. 9 Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.

  • Devemos trazer à memória as promessas

Considero incrível a capacidade que o ser humano tem de tão facilmente lembrar fatos que marcaram negativamente sua vida, enquanto aos grandes e melhores momentos, em muitos casos ficam destinados às fotos arquivadas e vídeos perdidos. Na verdade, hoje em dia, perdemos tanto tempo registrando os melhores momentos que perdemos tempo para verdadeiramente viver esses momentos.

Usar a memória é inclusive um desafio para pessoas como eu, que têm uma enorme dificuldade de memorização. Mas a Palavra de Deus é recheada de pessoas que dependiam de sua memória para compartilhar os decretos de Deus. Tanto no Antigo, quanto no Novo Testamento era estritamente necessário o uso da memória para viver e pregar a Palavra, pois a escrita não era tão acessível a todos. No texto de nossa reflexão, Pedro afirma que muitos zombarão da fé cristã pelo fato de que não consideram aquilo que foi mencionado pelos nossos antepassados servos de Deus.

  • O Criador é também o Justo Juiz

Pedro alerta que esses zombadores não reconhecem Deus como o criador de todas as coisas e que também é justo. Através de sua justiça, considerou que o mundo precisava de um sacrifício, onde segue o dilúvio. Só que para a atualidade o mesmo texto diz “pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios”. Fogo, Juízo e destruição. Essas três palavras são muito fortes e de uma linguagem pesada, porém carregam em si toda um proposta de Deus para a humanidade. Se outrora o mundo passou pelo julgamento de Deus e o resultado foi água, dessa vez o fogo julgará. O fogo tem um amplo significado na Palavra, desde os sacrifícios na cultura do Antigo Testamento à manifestações da presença de Deus. Aqui eu recorro ao fogo que considera separação. O fogo é também usado para atestar a pureza do ouro, assim será no dia do juízo, onde Cristo julgará e separará àqueles que são o seu povo seguido da condenação dos ímpios

  • Deus aguarda nosso arrependimento

Os versículos seguintes tratam inicialmente a apresentação da perspectiva de Deus em relação ao tempo. Uma tentativa de explicar a atemporalidade do Criador. Se para nós o tempo é linear, para Deus o tempo cronos simplesmente não existe, ou seja, para Ele tudo é, foi e será ao mesmo tempo. Ainda assim, apesar de toda a dureza dos versículos anteriores que anunciam o julgamento final, somos apresentados à missericórdia e longaminidade de Deus. Que, para muitos a aparente demora para a volta de Jesus é tão só e simplesmente um ato de amor do nosso Deus, que aguarda não o arrependimento de todos. Conforme o texto, Pedro diz: “…senão que todos cheguem ao arrependimento”. Chegar ao arrependimento é o reconhecimento ou a oportunidade de salvação dada à humanidade.

Assim, o tempo que é tanto um vilão como um herói a qual aguardamos anciosamente o retorno do Rei deve ser compreendido por nós como a expressa manifestação do amor do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Soli Amori Christi

Recicle-se!

Romanos 12. 1 – 5

1 ROGO-VOS, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.2 E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.3 Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um.4 Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação,5 Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros.

“A única coisa constante em nossas vidas é a mudança.” (Fernando Pessoa)

A vida é cheia de mudanças, nascemos, crescemos e nos desenvolvemos de maneira que vamos nos adaptando às necessidades da vida, nos moldando ao “recipiente”. Isso é bom! Faz parte do desenvolvimento natural do indivíduo. Por exemplo: se é preciso mudar de cidade e vamos para um outro local totalmente diferente ao que vivemos, precisamos nos adaptar ao clima, ao modo de vida, ao fuso-horário, ao sotaque, etc. Mas será saudável em todas as áreas? Quando as mudanças começam a mudar nossos princípios éticos- cristãos e nossos valores, corremos o risco de nos tornar religiosos, crentes nominais e a Palavra de Deus nos alerta a esse respeito.

Precisamos ser pessoas conscientes, transformadas por Deus e vivendo em harmonia uns com os outros.

Paulo foi o autor desta carta e sua intenção em escrevê-la foi preparar os crentes de Roma para sua chegada. Os conselhos provam o conhecimento que tinha da situação alí vivida. A igreja de Roma era amplamente conhecida naqueles dias. Há três lições, neste texto, que nos leva a uma reciclagem à maneira de Deus:

I. Um sacrifício consciente – um “culto racional” é o pedido feito por Paulo aos crentes de Roma. Ter consciência da nossa prática de culto é muito diferente de gritos, arrepios, palavras incompreensíveis e mensagens de improviso.

II. Transformados por Deus – o poder transformador de Deus recicla nossas ideias e transformados experimentamos a vontade de Deus que é boa, agradável e perfeita. Quem não gostaria de viver assim?

III. Juntos somos UM – o restante do texto fala da consequência dessa vida transformada que vive como parte do Corpo de Cristo. Esta unidade é a plena manifestação do propósito da comunhão da igreja do Senhor!

“Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto.” (Salmos 51: 10)

Soli Deo Gloria

Ponte de Sacrifício

Observando a vida de muitos cristãos que foram responsáveis pelo crescimento da fé no decorrer da historia do cristianismo, me chamou atenção a vida de vários homens e mulheres que se sacrificaram em seus ministérios para que, no futuro, muitas outras vidas viessem a ser alcançadas pela fé cristã. É interessante observar também que muito desse sacrifício foi considerado, até pelos irmãos religiosos, desnecessário.
Quando criança eu tinha um costume de observar o comportamento de alguns insetos e intervir nas atividades deles para ver como reagiriam. Em uma dessas experiências, acompanhei uma trilha de pequenas formigas que caminhavam ordenadamente atravessando o terreno localizado atrás da minha casa. Tive a ideia de intervir na trilha dessas formigas colocando obstáculos no caminho. Após alguns obstáculos vencidos pelos insetos, decidi apelar para um nível mais difícil… usei água. Ao derramar água em parte da trilha das formigas, observei que muitas delas insistiam em permanecer no caminho até que acabavam entrando na poça d’água e não conseguiam mais sair e morriam. Acontece que várias formigas cometeram esse erro. Para minha surpresa, após muitos suicídios, aquelas formigas mortas na superfície da água criaram uma espécie de ponte, possibilitando a passagem de outras formigas que voltaram a seguir a trilha.
Essa experiência me ajudou a compreender a dimensão do propósito de muitos ministérios que outrora sofreram possibilitando bençãos para muitas outras vidas. Existem até casos onde nem mesmo o povo sofredor desfrutou do bom momento futuro. Muitos sofredores não hesitaram em descrever suas dificuldades.
“e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Quando somos injuriados, bendizemos; quando perseguidos, suportamos.” (1 Coríntios 4.12)
O exemplo de Paulo, que no passado foi um perseguidor, foi alguém que sentiu na pele (literalmente) o sofrimento pela fé. O suportar de homens como Paulo me constrange, quando penso no que essas pessoas passavam, me inserindo no contexto deles, confesso que seria um forte candidato a desistir. E você, desistiria? Então a Palavra de Deus, através da vida de Paulo, expressa:
“Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos; E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal.” (2 Coríntios 4.8-11)
Soli Deo Gloria