Movimento desagradável

“… A rejeição será parte de nossa vida como cristãos. Nem todo mundo vai gostar de nós ou de nossa mensagem. Essa declaração é um tapa na cara da maioria dos modelos pragmáticos de igreja que estão por aí desde a década de 1980, segundo os quais ser querido (e, portanto, ser frequentado) é o valor mais elevado.”

Extraído de: Por Que Amamos a Igreja (Kevin DeYoung e Ted Kluck)

Você consegue imaginar a igreja evangélica como um movimento desagradável?

Pois esta era a posição de muitos cristãos da igreja primitiva! Vejamos o texto bíblico em Atos 6:

1 Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária.2 Então, os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas.3 Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço;4 e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra.5 O parecer agradou a toda a comunidade; e elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia.6 Apresentaram-nos perante os apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos.7 Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé.

8 Estêvão, cheio de graça e poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.9 Levantaram-se, porém, alguns dos que eram da sinagoga chamada dos Libertos, dos cireneus, dos alexandrinos e dos da Cilícia e Ásia, e discutiam com Estêvão;10 e não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava.11 Então, subornaram homens que dissessem: Temos ouvido este homem proferir blasfêmias contra Moisés e contra Deus.12 Sublevaram o povo, os anciãos e os escribas e, investindo, o arrebataram, levando-o ao Sinédrio.13 Apresentaram testemunhas falsas, que depuseram: Este homem não cessa de falar contra o lugar santo e contra a lei;14 porque o temos ouvido dizer que esse Jesus, o Nazareno, destruirá este lugar e mudará os costumes que Moisés nos deu.15 Todos os que estavam assentados no Sinédrio, fitando os olhos em Estêvão, viram o seu rosto como se fosse rosto de anjo.

O desagrado do povo leva à necessidade de novos líderes e aquele que é usado por Deus causa incômodo social.

  1. Desagrado na igreja (1-7)

Como vimos anteriormente em Atos, Deus deu crescimento para os primeiros cristãos, ainda que o foco dos discípulos era a pregação da Palavra e não o número de convertidos. Só que junto ao crescimento, surge uma necessidade justificável de organização entre os líderes na igreja.

O versiculo 1 fala de dois grupos étnicos: Helenistas e hebreus. O primeiro reclamava que as viúvas não eram atendidas conforme o segundo grupo. Vale salientar que os Helenistas eram judeus de língua grega e o segundo eram judeus que falavam aramaico. Por conta disso é possível que o problema aqui não seja um descaso com as viúvas, e sim falta de comunicação.

Os versículos 2 a 4 é o discurso dos apóstolos acerca de suas responsabilidades e que era preciso eleger mais líderes com diferentes funções para atender a demanda da igreja.  Vale frisar o “curriculum” desses homens: “de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria.” (Cf. Vs. 3)

O versículo 4 eles determinam suas funções que é basicamente orar e pregar!!!

Apesar do desagrado anterior, conforme o versículo 5 a comunidade se agradou dessa decisão e escolhendo os 7 homens o qual foram consagrados  a consequências disso está no versículo 7, que diz: “Crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé.”

Aqui vimos que uma igreja desorganizada gera murmuração e o caminho para resolver esse problema é envolver-me na organização da igreja, ou seja, servir! Não é incomum ver que os murmuradores de igreja são, na maioria das vezes, telespectadores da igreja e pouco se envolvem na organização.

  1. Desagrado social (8-15)

Aqui a narrativa muda de foco. Pois entre os escolhidos para assumir novas responsabilidades na igreja, um homem cheio de graça e poder, realizava grandes feitos entre o povo. Este homem era Estevão, e assim como Cristo Jesus, Estevão incomodou os religiosos de plantão!

Conforme o versículo 9 e 10, temos aqui pelo menos judeus de 4 sinagogas e culturas diferentes e TODOS ELES estavam incomodados com Estevão. Detalhe é que esses religiosos “perdiam” na argumentação de Estevão pois sua fala tinha sabedoria e o Espírito.

O texto segue narrando que esses líderes judeus (na minha opinião – eles não tinham argumentos) financiaram um plano para levantar caluniadores e, somente assim, acusar Estevão ao ponto de levá-lo a julgamento diante do sinédrio. O foco da acusação era o conteúdo da pregação, pois ele pregava a respeito das Boas Novas, ou seja, o Reino de Deus revelado em Jesus Cristo.

O melhor desta narrativa é “a cara” de Estevão diante do desagrado social gerado por estes religiosos. Há quem diga que esta foi uma maneira de descrever que Estevão se encontrava: puro, calmo, de postura serena e que irradiava a presença de Deus!

Neste segundo bloco, um homem cheio do Espírito Santo, escolhido pela igreja primitiva é perseguido por falar com autoridade a respeito de Jesus. Infelizmente nas cenas do próximo capítulo, a história desse missionário termina (alerta spoiler) com um final trágico e a entrada de Saulo ainda jovem nas narrativas de Atos.

Seja igreja ainda que não agrade a todos!!!

Soli Amori Christi

De “fora para dentro”

Você já deve ter ouvido falar que a palavra que fora traduzida para igreja, no original em grego tem um significado com algo parecido como: “chamados para fora”. Será que este era o real sentido desta palavra para os discípulos de Jesus?

Veja o que Robert Cara, em um artigo bem interessante chamado “Cuidado com o Significado Oculto da Raiz de uma Palavra“, escreve sobre ekklesia:

No grego, mais do que no português, muitas palavras são uma combinação de duas outras palavras, mas geralmente o estudo etimológico do porquê e de quando essas palavras foram combinadas é completamente desconhecido pelo autor do Novo Testamento. A palavra grega ekklesia, que é geralmente traduzida por “igreja”, é uma combinação das palavras chamar e fora. Contudo, os dicionários gregos acadêmicos não dão a definição de “os chamados para fora” para a palavra ekklesia, porque ela não está sendo usada dessa maneira no Novo Testamento. Embora seja teologicamente verdadeiro que cristãos tenham sido chamados para fora do mundo pecaminoso para ser a igreja, essa verdade não é derivada da palavra ekklesia. Semelhantemente, no inglês moderno a palavra butterfly (borboleta) é claramente composta das palavras butter (manteiga) e fly (mosca), mas isso não nos ajuda a entender melhor o inseto.

A Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã traz a seguinte definição para igreja:

“No NT, “igreja”traduz a palavra grega ekklēsia. No grego secular, ekklēsia designava uma assembléia pública, e este significado ainda foi mantido no NT (At 19.32, 39, 41).

É interessante notar que algumas das pessoas que enfatizam o “chamados para fora” são também contra a reunião dos crentes em um prédio para cultuar a Deus. Contudo, como o uso do termo ekklēsia mostra, a igreja é uma assembléia (ou seja, uma reunião) e a igreja em Atos se reunia sim em locais fechados para cultuar a Deus, orar e ouvir a Palavra.

(pesquisa de Vinicius Pimentel, fundador do site: Voltemos ao Evangelho).

Vejamos o que está escrito em Atos 3:1-11

Pedro e João subiam ao templo para a oração da hora nona. 2 Era levado um homem, coxo de nascença, o qual punham diariamente à porta do templo chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam. 3 Vendo ele a Pedro e João, que iam entrar no templo, implorava que lhe dessem uma esmola. 4 Pedro, fitando-o, juntamente com João, disse: Olha para nós. 5 Ele os olhava atentamente, esperando receber alguma coisa. 6 Pedro, porém, lhe disse: Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda! 7 E, tomando-o pela mão direita, o levantou; imediatamente, os seus pés e tornozelos se firmaram; 8 de um salto se pôs em pé, passou a andar e entrou com eles no templo, saltando e louvando a Deus. 9 Viu-o todo o povo a andar e a louvar a Deus, 10 e reconheceram ser ele o mesmo que esmolava, assentado à Porta Formosa do templo; e se encheram de admiração e assombro por isso que lhe acontecera. 11 Apegando-se ele a Pedro e a João, todo o povo correu atônito para junto deles no pórtico chamado de Salomão.

Pedro e João são a igreja que age também trazendo os “de fora”

O que podemos aprender com esta cura milagrosa…

  1. A prática constante de oração leva os discípulos a oportunidades missionárias. (1-3)

Os judeus tinham uma prática diária de oração e que era dividida em pelo. Enos três vezes ao longo do dia: nove horas da manha, meio dia e três da tarde. A “hora nona” do versículo 1, são três da tarde. Os primeiros cristãos a exemplo dos discípulos mantiveram essa prática. Foi que em um desses momentos em que pedintes ficavam à porta do templo esperando que uma boa alma lhes desse algo, em que Pedro e João são colocados ali por Deus para levar cura.

  1. Autoridade em nome de Jesus. (4-6)

Os discípulos dizem no versículo 4: olhe para nós! Eles eram homens simples sem nenhum adereço de riqueza ou de sacerdócio farisaico. Homens simples que traziam consigo uma poderosa mensagem (vs.6): a fé! É pela fé na autoridade que há no nome de Jesus que aquele homem é curado dessa doença que o acompanhou toda a vida.

  1. Atitude de fé e gratidão. (7-8)

Mas os discípulos não permaneceram apenas com uma palavra de fé, eles tiveram uma atitude de fé. Ajudaram o homem a levantar-se revelando sua cura e consequentemente o homem, antes aleijado, agora entra no templo sem medo de ser feliz. Saltando e louvando ao Senhor!

  1. Testemunho. (9-11)

Os versículos 9 e 10 mostram o que este testemunho de vida faz na vida daqueles que estão no templo. Testemunhar é conhecer oocorrido eaquele povo frequentador do templo conhecia a história daquele homem. No versículo 11 narra que as pessoas sguiram este homem juntamente com os dois discípulos em direção ao pórtico de Salomão, que é o local em que Jesus ensinou a respeito do “bom pastor”: João 10. 23-25

23 Jesus passeava no templo, no Pórtico de Salomão. 24 Rodearam-no, pois, os judeus e o interpelaram: Até quando nos deixarás a mente em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-o francamente. 25 Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai testificam a meu respeito. 26 Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas. 27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.

Que nossa vida na igreja reproduza a vontade de Deus para nós. Que sejamos capazes de trazer irmãos para dentro dessa família chamada igreja!!!

Solo Amori Christi

Sociedade dos humanos mortos

Esta semana me peguei refletindo a respeito dos anos 80 e acabei chegando em alguns pensamentos que me incomodaram. Lembrei do humor da época, onde o humorista Lírio Mário da Costa, também conhecido como “Costinha” (1923-1995), arrancava gargalhadas dos brasileiros ao fazer piadas satirizando práticas homossexuais daqueles que ele mesmo chamava de “bichinhas” e nunca foi processado ou preso por isso. Lembrei de uma canção da banda Inimigos do Rei que seria hoje extremamente ofensiva. Segue trecho:

“Adelaide, minha anã paraguaia;

Adelaide, minha anã…

Oh menina, o quê que tu fez?

Eu te jogo um confete, você me bate outra vez;

Sim eu jogo basquete e sou português;

Você não é Cláudia Raia… é apenas a minha.”

Também pensei na maneira que vivíamos a alguns anos…

  • Meus pais usaram castigo e inclusive palmadas e hoje não sou um serial killer.

  • Me diverti com jogos de videogame violentos e nem por isso comprei uma arma.

  • Sofri o que hoje chamam de bullying na escola (e ainda hoje sofro) e sou feliz.

  • Brinquei na rua, manuseei brinquedos caseiros extremamente cortantes e estou inteiro.

Vivemos em uma sociedade onde poetas não podem mais se expressar e humoristas não passam de chatos criadores de jargões. É por essas e outras que sou levado a pensar em uma sociedade dos humanos mortos. Uma sociedade que cria processos desumanizadores a cada século, uma sociedade que assiste o seu próprio fim de camarote e bate no peito dizendo com orgulho que tudo está sob controle.

Nunca fomos tão cheios de opções para tudo que se quer fazer e nunca estivemos tão vazios. Hoje pode tudo! Em uma sociedade doente há justificativas para o assassino, o pedófilo, o assaltante, o político ladrão, a mãe que aborta, o pai que estupra e filhos que matam os pais.

Uma sociedade morta que não consegue refletir a si mesma no espelho e ver tamanha desgraça que é capaz de causar. E tudo por uma única razão: A falta de Deus!

Não é que Deus “desapareceu” da sociedade. É a sociedade que, ou não busca corretamente, ou não busca completamente um relacionamento real e sincero com Deus. Ou seja, infelizmente vivemos num mundo órfão de Deus por opção!

Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês. Dentro de pouco tempo o mundo já não me verá mais; vocês, porém, me verão. Porque eu vivo, vocês também viverão. Naquele dia compreenderão que estou em meu Pai, vocês em mim, e eu em vocês. Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele.” [João 14:18-21]

{Biblifique-se}

Soli Deo Gloria

Sociedade, Igreja e Sexualidade

Cristo vive em mim
“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.”  (Gálatas 2 : 20)

    Nos três primeiros Sábados do mês de Novembro foi realizado na Igreja Batista Memorial Belém uma série de programações com o tema Sociedade,Igreja e Sexualidade. Antes mesmo, no mês de Outubro, todos os jovens receberam um material via e-mail chamado: 36 dias de pureza sexual, um devocional preparado pelo ministério sexxxchurch. Nos encontros tivemos palestras sobre: vícios, impulsos e distúrbios sexuais. Um debate sobre homofobia e a resposta da igreja para as questões de sexualidade. E, no encerramento com a palestra – Penso, logo espero – Os jovens da igreja foram desafiados a fazer um PACTO de compromisso com Deus em preservar a virgindade ou a purificação espiritual para ser compartilhada apenas com seu ou sua cônjuge.

    Tudo foi preparado por Deus e em cada encontro tivemos uma reação positiva ao que foi desenvolvido.  Agradeço a cada jovem que colaborou para a realização desta programação, a IBMB por confiar em mim e o apoio do Pr. Gilberto.

    Em 2011 teremos novos encontros temáticos e novas oportunidades de desenvolver uma reflexão da igreja em relação aos diversos problemas do cotidiano. Teremos, também, esta mesma série de programações – Sociedade, Igreja e Sexualidade – desenvolvida em outras igrejas e todos estão convidados. Aguarde, em 2011 teremos mais! Deus abençoe a todos…

Soli Deo Gloria